São Paulo - O nome é meio complicado: Shamell Jermaine Stallworth. Mas, para quem acompanha o basquete brasileiro, é mais do que conhecido. E, se a burocracia brasileira fizer um ponto certeiro e o técnico argentino Rubén Magnano apostar, pode até aparecer na mais concorrida lista do ano - a dos atletas que vão para o Mundial da Turquia, em agosto.
No Brasil dado à miscigenações, a seleção masculina de basquete pode chegar a uma experiência rara na integração entre raças. Ou seja, ter um estrangeiro em suas fileiras. O ala Shamell, nascido em San Francisco, é candidatíssimo ao posto. Tão brasileiro quanto norte-americano, o jogador do Pinheiros/Sky (SP), que joga no Brasil há quase seis anos, está com o processo de naturalização em passo adiantado. Mas a ponto de poder ser convocado para o Mundial? ''Me disseram que a chance é de 90%'', admitiu, em bom português.
Em sua primeira visita ao Brasil, logo depois de assinar contrato com a Confederação Brasileira de Basquete (CBB), Magnano foi ao ginásio do clube paulistano para assistir Pinheiros x Araraquara/Palmeiras (SP). O time da casa venceu por 93 a 84 - Shamell foi o cestinha, com 24 pontos.
A intenção de contar com o ala na seleção, contudo, é antiga. ''Estão falando sobre isso desde a época do Lula (Ferreira)'', contou Shamell, sobre o técnico que deixou o time nacional em 2008 e comanda o Universo/Brasília (DF), líder do NBB. O espanhol Moncho Monsalve também sabia da vontade do americano em jogar pelo Brasil.
Mas o momento nunca foi tão propício. Shamell é casado com a brasileira Lucilene, que conheceu quando jogou em Araraquara, e tem dois filhos nascidos no País - Jordan e Shamell, gêmeos de dois anos.
Shamell faz pouco dos que torcem o nariz para um estrangeiro na seleção. ''Se existe a chance, por que não tentar? Se não der certo, tudo bem. Mas acho que é preciso testar''. Para ele, assim como os brasileiros são referência no futebol, o mesmo ocorre com os norte-americanos quando o assunto é basquete. ''Eu posso ajudar muito com o conhecimento que tenho''.
Apontado como um jogador muitas vezes individualista, diz, sem falsa modéstia, que é o ''cara'' no Pinheiros - tem o maior tempo de quadra dos jogadores do Nacional, com a média de 37,4 minutos/jogo. ''Mas sei que na seleção é diferente. É mais importante ser mais um e ser campeão do que ser o cestinha e não ganhar nada''.

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