Shakhtar Donetsk: filial brasileira na Ucrânia
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quarta-feira, 28 de novembro de 2012
France Presse 
Donetsk, Ucrânia - É difícil imaginar um contraste maior com as praias do Rio de Janeiro. A cidade ucraniana de Donetsk é uma área industrial em uma região de mineração. Mas nesta cidade, vários jogadores brasileiros brilham para fazer do Shakhtar Donetsk o melhor clube da extinta União Soviética.
Seria possível escalar uma equipe completa apenas com atletas brasileiros que vestiram o uniforme laranja do Shakhtar na última década. Contratados pelo milionário proprietário do clube, Rinat Akhmetov, e inspirados pelo técnico romeno Mircea Lucescu, os brasileiros transformaram o Shakhtar em uma equipe forte no cenário europeu.
"Todos são muito talentosos, trabalhadores e se adaptam bem ao nosso estilo de jogo", disse Akhmetov. "Todos desejam continuar progredindo. E isto mostra que estamos no bom caminho", completou.
A cidade, fundada pelo galês John Hughes no século 19, exibe em suas ruas a arquitetura do período soviético, mas graças a Akhmetov conta com a Donbass Arena, um dos melhores e mais modernos estádios da Europa.
O Shakhtar venceu a última edição da Copa da Uefa, em 2009, mas talvez atualmente esteja na melhor temporada de sua história, dominando com autoridade o rival Dínamo Kiev para liderar o campeonato ucraniano e brilhando na Liga dos Campeões.
O astro do time, Fernandinho, lembra do choque sofrido ao desembarcar em Donetsk há sete anos. "Para falar a verdade, quando tinha 20 anos e atravessei o oceano para chegar a um país fora do comum, dificilmente podia imaginar que ficaria aqui mais de três temporadas", disse o londrinense. "Mas o clube começou a crescer rapidamente e tudo mudou rápido para melhor. Conquistamos bons resultados e minha opinião mudou. Agora tenho 27 anos e meu contrato com o Shakhtar vai até 2016. E não seria surpresa se decidisse encerrar minha carreira aqui", completou.
Fernandinho reconhece que o dinheiro é a principal razão para que os jovens brasileiros viajem para a Europa. "Com certeza, o dinheiro é a principal razão. As oportunidades econômicas aqui são maiores que nos clubes brasileiros. "Além disso, os países desenvolvidos da Europa Ocidental, como Itália, Alemanha, França, atraem os jogadores com o alto nível de vida, melhor que no Brasil", explica o volante, que teve outro londrinense como parceiro de equipe, Jadson, atualmente no São Paulo.
Fernandinho completou que, apesar da Ucrânia não ter o mesmo nível de desenvolvimento de outros países europeus, o clube de Donetsk é como um oásis que permite ao jogador concentrar-se no trabalho e demonstrar rapidamente o progresso.
O atacante Brandão foi o primeiro brasileiro no Shakhtar, quando chegou ao Donbass dois anos antes de Lucescu assumir o cargo de técnico em 2004. Com Lucescu, Brandão evoluiu e chamou a atenção do Olympique de Marselha, que o contratou em 2008.
Lucescu não esconde a admiração pelo futebol brasileiro desde os anos 70. Ele comandou astros como Ronaldo na Inter de Milão.
Punição
O atacante Luiz Adriano, do Shakhtar, foi punido pela Comissão Disciplinar da Uefa com um jogo de suspensão na Liga dos Campeões após ter marcado um gol em lance polêmico na vitória sobre o Nordsjaelland, por 5 a 2, na última semana. Desta forma, ele será desfalque no confronto que fechará o Grupo E, contra o Juventus, no próximo dia 5 de dezembro, na Ucrânia. O brasileiro também terá de prestar um dia de serviços comunitários.
A polêmica ocorreu aos 26 minutos do primeiro tempo, quando o meia Willian resolveu devolver a bola para o clube dinamarquês com um chutão para frente, levando em consideração o "fair play" ("jogo limpo") depois de uma interrupção do árbitro. Mas Luiz Adriano dominou, avançou sem marcação, driblou o goleiro e balançou a rede, empatando a partida em 1 a 1.


