Kraw PenasSueli Tortura: no quadro da CBF desde 93 e há um ano na FifaAs mulheres paranaenses vão à luta pelo direito de apitar jogos de futebol. Cinquenta e três árbitros - incluindo nove mulheres - do Paraná submeteram-se sexta-feira, no Estádio Pinheirão, em Curitiba, à uma avaliação feita por professores do Centro de Capacitação Física do Exército.
Quem estiver melhor preparado integra o quadro nacional da CBF e poderá apitar jogos do Campeonato Brasileiro de 97. Quem estiver ‘‘esgotado’’ terá uma nova chance, na ‘‘repescagem’’, dia 17 de julho.
Sexo frágil?Ela diz que não é o tormento dos jogadores, mas só pelo sobrenome, já dá um certo frio na espinha: Sueli Tortura, 30 anos, desde 93 integra o quadro da CBF e há um ano faz parte da Fifa.
O preconceito ainda atrapalha um pouco a carreira da juíza paranaense. Ela apitou poucos jogos de futebol masculino. ‘‘Tenho mais experiência no feminino’’, disse.
No entanto, Sueli já trabalhou em mais de 150 jogos do Campeonato Paranaense, seja como árbitro auxiliar ou reserva. ‘‘Integro o quadro da Federação Paranaense de Futebol desde 1992’’, orgulha-se.
Sem dúvida, ela foi uma das precursoras do ‘apito feminino’ no Estado e no País. Mas seu maior orgulho é ter apitado 16 jogos internacionais. ‘‘A maioria de mulheres’’, contou.
Trabalho de partoA arbitragem paranaense reúne também profissionais de diversas áreas. O médico ginecologista Enrique França Triches, por exemplo, não se preocupa com a possibilidade de uma paciente sua entrar em trabalho de parto no dia de um clássico. ‘‘Meu pai também é médico e assume meu lugar. Não posso deixar de apitar a partida se estiver escalado’’, disse.
Há dez anos apitando como profissional, Triches mantém o bom condicionamento físico, ora vejam, jogando futebol. ‘‘Brinco duas vezes por semana. Segundas, quartas e sextas-feiras, corro por 30 minutos’’, disse.
O ginecologista acredita que está aprovado como árbitro para o quadro nacional. ‘‘Estou bem e acho que fiz o exame abaixo do índice exigido’’, finalizou.

mockup