Se as ações trabalhistas assustam tanto quem pensa em assumir o clube no próximo ano, a diretoria executiva pretende pelo menos amenizar este temor. O presidente Osvaldo Sestário Filho, que não descarta uma eventual reeleição, anunciou que pretende criar um mecanismo judicial que destinaria 20% das receitas e rendas para o pagamento de dívidas trabalhistas. ''Isso evitaria estas penhoras pelas quais o clube vem passando, além é claro de diminuir o passivo da dívida total'', ponderou Sestário.
A iniciativa seguiria o exemplo do que já é praticado nos clubes da capital pernambucana Santa Cruz, Sport e Náutico onde os dirigentes chegaram num acordo com o poder judiciário. ''Eles firmaram este acordo e não enfrentam mais o problema de penhoras'', informou. Sestário quer levar o projeto a juízes trabalhistas e da Justica Comum e propor um parcelamento do que o clube ainda deve. ''Vamos informar as receitas do Londrina e propor o acordo. A partir disto, seria descontado direto na fonte 20% das receitas do clube, como renda dos jogos, cotas de TV e dinheiro de publicidade'', ponderou. Segundo ele, o próprio judiciário se resposabilizaria em repassar o dinheiro aos ex-funcionários do clube. ''Não sei qual será o critério, mas talvez eles paguem primeiro as ações mais antigas'', especulou.
Sestário acredita que não deve enfrentar entraves para viabilizar o projeto. ''Acho que não haverá problemas. Algumas empresas da cidade já realizaram este tipo de acordo. O precedente foi aberto'', ponderou. O presidente disse também que está organizando um fórum de discussão para levantar alternativas a fim de viabilizar financeiramente o Tubarão em 2004. ''Queremos um debate com a participação de lideranças políticas, empresariais e comerciais, sindicatos e associações, para criar um SOS Londrina. O que não dá é para carregar este fardo sozinho'', disse.
O problema das dívidas também pesou bastante na decisão do grupo gestor de se afastar do futebol profissional em 2004. Na reunião que oficializou o rompimento, realizada terça-feira, o gestor Júlio Lemos revelou que neste ano foram gastos quase R$ 130 mil no pagamento de dez ações trabalhistas, sem contar as penhoras judiciais. ''Negociando com os jogadores, conseguimos reduzir a dívida em cerca de R$ 400 mil'', informou Lemos.
Segundo Sestário, só em ações o clube deve pouco mais de R$ 800 mil. O montante sobe para cerca de R$ 2 milhões quando leva-se em conta as dívidas com o INSS e outros encargos. ''Este problema também foi um dos motivos que pesaram em nossa decisão'', ratificou o gestor Iran Campos, durante a reunião da terça-feira.

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