São Paulo - Palmeirenses, lusos, botafoguenses... Se já tiverem recortado e guardado a tabela da Série B do Campeonato Brasileiro, divulgada pela CBF, peguem-na e a joguem no lixo. Ela não tem mais nenhuma utilidade. Depois de longa reunião mais de quatro horas realizada na sede da CBF, ontem, ficou definido que a competição não será mais disputada em turno e returno, com pontos corridos. Será utilizada a mesma fórmula do Brasileiro do ano passado. Após um turno, classificam-se os oito melhores colocados, que se enfrentam em sistema eliminatório, até se chegar aos dois finalistas.
A decisão foi tomada com o objetivo de reduzir os custos operacionais do torneio, que estavam avaliados em R$ 30 milhões caso fosse realizado em turno e returno. Com as modificações, o Brasileiro passará a ter no máximo 29 rodadas. Com o sistema antigo, teria 46. As alterações reduzirão os gastos em pelo menos 30%.
A iniciativa da CBF, em conjunto com a diretoria do Futebol Brasil Associados (FBA), que comanda a Série B, pega de surpresa o presidente do Palmeiras, Mustafá Contursi, que não admitia outra fórmula que não a de pontos corridos com dois turnos. O dirigente reclamou bastante, no ano passado, dos moldes do Brasileiro da Série A, em que o Palmeiras terminou na 24 posição e acabou rebaixado. ''É injusto definir um campeão e os rebaixados num campeonato de um turno só'', declarou Mustafá, no início do ano.
Em novo encontro na semana que vem, os clubes serão oficialmente avisados das modificações na Série B. Os presidentes dos clubes não foram chamados para a reunião. E os cartolas da CBF e do FBA já estão preparados para a discordância do homem forte do Palmeiras. Mas tentarão convencê-lo. O Palmeiras ainda exige R$ 6 milhões para disputar a competição, mesmo valor que recebia na Série A.
Por enquanto, a Globosat, da qual o canal esportivo é a SporTV, é a única que está fechando contrato para transmitir a Segunda Divisão. A Globo e o SBT também têm interesse em exibir os jogos, mas ainda não houve acerto.
A bagunça da Série B está prejudicando, e muito, o planejamento dos clubes. O Palmeiras, por exemplo, pretendia organizar sua programação de trabalho com base no dia de início da competição. Mas a comissão técnica acabou se tornando escrava dos cartolas, que, até agora, não puseram um ponto final no imbróglio. ''É ruim essa indefinição, não é bom ficar tanto tempo sem jogar'', lamentou o técnico Jair Picerni, que, até a tarde de ontem não sabia quando seria a estréia do time. A princípio, está marcada para o dia 19, contra o Vila Nova, em Goiânia.

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