Série B tem mais público que a Série A
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de setembro de 1997
Agência Estado 
Arquivo FolhaDe volta aos estádiosOs torcedores londrinenses têm correspondido e prestigiado a equipe, apesar das broncas com o rendimento técnico do time. Média é de 8,2 mil espectadores O Moto Clube, do Maranhão, que luta para não ser rebaixado para a terceira divisão do futebol brasileiro, tem levado três vezes mais público a seus jogos do que a Portuguesa, líder da Série A do Campeonato Brasileiro. O clube maranhense tem a melhor média da Série B (12,3 mil espectadores por partida). A da Lusa é de apenas 4,4 mil.
De acordo com levantamento feito pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), os dez clubes com melhor média de público na Série B superam vários participantes da Série A. Moto (12,3 mil), Ceará (9 mil), Londrina (8,2 mil), Ponte Preta (7,9 mil), Náutico (7,8 mil), Paysandu (7,7 mil), Santa Cruz (7 mil), Remo (6,5 mil), ABC (6,2 mil) e Vila Nova (5,7 mil) têm melhor média do que Portuguesa (4,4 mil), Fluminense (5,4 mil), Criciúma (5,5 mil), Juventude (3,6 mil), Guarani (3,3 mil), Botafogo (2,6 mil), Bragantino (1,6 mil) e União São João (1.048 mil).
Moto e Ceará superam outros clubes de expressão do futebol brasileiro, entre os quais Palmeiras (8,2 mil), Corinthians (6,9 mil), Cruzeiro (7,9 mil), Vasco (8,2 mil) e São Paulo (8,5 mil). O Moto vence até mesmo o Flamengo, clube de maior torcida do futebol brasileiro. O rubro-negro carioca é o oitavo colocado em média de público na Série A, com 10,2 mil. O Bahia, que tal qual o Moto vive na perigosa zona de rebaixamento, tem uma característica semelhante à do time do Maranhão: é o primeiro colocado em média de público da Série A, com 26,2 mil. O América-RN é uma surpresa na Série A - ocupa a sexta colocação, com média de 15,3 mil.
O Moto, apesar do incentivo de sua torcida, pode ser rebaixado para a Série C no jogo de domingo, contra o Remo, em Belém. O time maranhense tem um ponto a mais e precisa empatar para evitar a queda. Surpreso com o comparecimento do público aos jogos da Série B, o diretor-técnico da CBF, Gilberto Coelho, está exigindo estádios com capacidade mínima de 20 mil espectadores para as partidas da segunda fase, que será disputada, pela primeira vez, no sistema playoff (três jogos eliminatórios). A tendência é que, com esse critério de disputa, o público fique ainda mais motivado e compareça ao estádio em maior número, justificou.
Coelho afirma que os clubes do Rio e de São Paulo estão jogando a média de público da Série A para baixo. Ele aponta uma série de fatores para a ausência de público nos estádios dos principais centros do futebol brasileiro. Nos outros locais, o futebol ainda é um grande programa, argumenta. Vai a família toda, os estádios geralmente são perto e não há problemas de transporte nem de falta de segurança. No Rio e em São Paulo, os estádios são distantes e há muita insegurança, na sua opinião. Para dificultar mais, lembra que a maioria dos representantes dos dois Estados não está bem no Brasileiro.
Apesar dos problemas, a média de público da Série A aumentou este ano em relação à temporada passada. De acordo com o levantamento da CBF, feito com base em 150 jogos das duas competições no mesmo período, a média é de 9,2 mil este ano, contra 8,5 mil de 96.


