''Eu cruzava e o Paulinho guardava''. Assim o ex-atacante e hoje empresário Sérgio Ramos, 48 anos, define a parceria que fazia com Paulo Roberto Bacinelo, o Paulinho Cascavel, 43, no ataque cascavelense. Parceria, essa, que levou o clube ao título estadual de 80.
Os dois chegaram ao time em 79, e não ficaram por muito tempo. Mas quase que a parceria não deu certo. ''Eu jogava no Matsubara e o Cascavel me contratou, junto com mais quatro jogadores de Cambará, mas eu não queria ir. Na viagem, quando chegamos em Maringá, eu mandei parar o carro e não queria seguir viagem. Cascavel era muito longe, não chegava nunca. E eu estava namorando, sabe como é. Mas estou até hoje na cidade'', relembra Ramos.
Paulinho liderou durante quase todo o campeoanto a artilharia. Mas em um jogo entre Cascavel e Toledo, o Clássico da Soja, Sérgio Ramos cobrou um escanteio, Paulinho cabeceou e fez o gol, mas chocou-se com a zaga e quebrou alguns ossos do rosto, ficando seis partidas sem jogar. Com isso o atacante Éverton, do Londrina, o superou e foi artilheiro com 20 gols. Paulinho ficou com 19.
Em 81, o time campeão foi desfeito. Sérgio Ramos seguiu para o Atlético Paranaense e Paulinho foi vendido para o América, de São José do Rio Preto (SP).
Paulinho teve mais sorte que o companheiro. Depois de se consagrar pelo Brasil, participando de conquistas importantes de times de vários Estados entre elas os campeonatos Carioca e Brasileiro de 83 pelo Fluminense , o artilheiro foi balançar as redes portuguesas.
Logo em sua primeira temporada no Porto, a de 84/85, Paulinho já foi campeão. Em Portugal jogou também pelo Vitória de Guimarães e pelo Sporting de Lisboa. Por duas vezes ganhou a Bola de Prata, por ter sido artilheiro do campeonato português. ''O melhor momento da minha carreira foi quando jogava pelo Vitória de Guimarães'', avalia Paulinho.
Depois de sete anos jogando nos campos patrícios, Paulinho ganhou o respeito e a admiração dos torcedores, jogadores e dirigentes portugueses. Ele participou de jogos beneficentes e comemorativos na Europa, ao lado de craques mundiais como o argentino Diego Maradona, os holandeses Rud Gullit e Frank Rijkaard e o alemão Klinsmann.
Hoje, Paulinho divide seu tempo entre a escolinha de futebol em Cascavel e a fazenda no Mato Grosso. ''Tive sorte e ganhei dinheiro na Europa, mas, ao contrário de muitos jogadores, tive cabeça para guardar. Casei cedo e isso me ajudou'', conta.
Já Sérgio Ramos passou por 18 clubes durante sua carreira, com destaque para o Vasco da Gama e o Atlético Paranaense. Também chegou a ser convocado para seleções brasileiras nas categorias de base. (T.M.)

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