Serginho saboreia fama de herói, mas mantém pés no chão
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2002
Claudemir Scalone<br>Reporatagem Local 
O jovem goleiro Serginho, 20 anos e 1,83 metro, viveu ontem contra o Cruzeiro o maior momento na sua curta carreira profissional pelo Londrina. O jogador, que subiu do time júnior no ano passado, fez pelo menos três grandes defesas durante a partida e teve o seu nome gritado em coro pelos mais de 25 mil torcedores logo no início do primeiro tempo ao defender um pênalti cobrado por Edílson. Ao evitar o gol cruzeirense, Serginho deu moral a seus companheiros.
Coloquei na cabeça que ele ia bater naquele canto e deu certo, contou Sérgio Roberto Vitori, ainda curtindo a repentina fama de herói. Foi o primeiro pênalti defendido nos profissionais pelo goleiro, que no time júnior defendeu sete pênaltis. Além dos cumprimentos da mãe Bete, Serginho recebeu telefonemas de amigos de Curitiba e São Paulo pela atuação.
Mas os louros da vitória não embriagam o jovem goleiro nascido em Londrina. Ele está ciente de que na sua posição o espaço entre a consagração e a desgraça vem na mesma velocidade. Não posso ficar pensando só nesse jogo. Tenho de passar uma régua e pensar daqui pra frente, disse. Acostumado a ver o time das arquibancadas na adolescência, Serginho confessa que não sonhava um dia estar ali no gramado do Estádio do Café. Agora ele está bem mais perto do objetivo desta temporada: conquistar definitivamente a camisa de titular do Tubarão.
O jogo com o Cruzeiro realçou a atuação de outros dois jogadores: o atacante angolano Jonhson, 23 anos e 1,85m, e o zagueiro Dé, 26 e 1,84m. Angolano de Macaba, Jonhson Monteiro Pinto está radicado no Brasil há 15 anos (sua família mora em Santo André). O atacante esguio e rápido foi convocado três vezes para a seleção angolana durante as eliminatórias da Copa do Mundo no ano passado, e marcou dois gols em dois jogos pelo Londrina. Não vou falar que vai ser sempre assim. Tive um chance de gol contra o Cruzeiro e aproveitei, afirmou o atacante, que está fazendo marketing pessoal. Por sugestão do irmão Magno, Jonhson utilizou uma camiseta por baixo da camisa do Londrina com os dizeres Tubarão Angolano, que mostrou às câmeras de TV ao marcar o gol. Deu certo contra o Cruzeiro e vou usar sempre, prometeu ele, não encarando a camiseta como uma espécie de talismã.
A timidez do baiano José de Jesus Santos, o Dé, fora de campo se transforma quando ele recebe mais uma missão especial do técnico Freitas Nascimento. Com o selecionável Edílson não foi diferente. Dé foi incumbido de ser a sombra do Capetinha e cumpriu à risca a determinação tática que lhe foi dada: marcou Edílson com eficiência e sem violência. A implacável marcação até rendeu críticas a Dé. Ele (Edílson) achou ruim e perguntou se por acaso era mulher dele, contou Dé, que não se intimidou em dar uma resposta: Tô fazendo o meu trabalho. A boa atuação e os elogios da imprensa não fazem o zagueiro reivindicar uma vaga no time. Nunca é bom ficar no banco, mas é uma opção tática do Freitas. Ele tem confiança em mim e se precisar estou pronto, disse humilde.


