Serginho inicia nova carreira fora dos gramados
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sábado, 20 de setembro de 2008
Dimas Rodrigues<br>Equipe da Folha 
Por nove temporadas, o lateral Serginho brilhou no Milan. Foram quase 300 jogos em que mostrou versatilidade, atuando como lateral-esquerdo, sua posição de origem, mas também como zagueiro, meia e até como atacante. Há quatro meses, porém, o futebol deixou de fazer parte da vida de Serginho. Ao menos dentro de campo.
O jogador pendurou as chuteiras um mês antes de completar 37 anos. E parou por opção. "Eu tinha contrato até o ano que vem. Mas tive um problema de lesão, uma hérnia de disco, e me cobro muito de render o que eu espero e não tinha mais condição física para continuar", afirma.
Antes disso, o ex-são-paulino já havia percebido que havia conquistado o que poucos jogadores brasileiros alcançaram. E a não ser o título mundial com a Seleção Brasileira, nenhuma outra conquista faltava para completar sua carreira. "Foram vários momentos marcantes no Milan, mas as duas Champions League conquistadas foram especiais. A não ser a Copa do Mundo, a Champions League é uma competição que dá esse destaque", diz.
Assim como a maioria dos brasileiros que atuam na Europa, Serginho não teve vida fácil quando se transferiu do São Paulo para o Milan, em 1999. "O mais difícil são os primeiros meses, a mudança de clima, o idioma, de cultura, o inverno muito duro... Só depois que se domina o idioma as coisas começam a melhorar", relembra, confessando que não tinha a exata noção do que era viver fora do País e jogar em um grande clube europeu.
Agora, plenamente adaptado com a cultura do futebol italiano e com um excelente relacionamento com a diretoria, Serginho assumiu um cargo na administração do clube. Ele é consultor do Milan no Brasil e na última semana esteve em Curitiba para lançar o Milan Junior Camp, uma colônia de férias do time italiano que visa aumentar a torcida milanesa no País. "A oportunidade de estar trabalhando com esse projeto não se iguala em jogar, mas é bem próximo", explica o ex-jogador, que teve dez convocações para a Seleção e recusou outras duas, quando o técnico era Carlos Alberto Parreira.
Segundo Serginho, o que o motivou a tomar essa atitude foi a falta de aproximação entre os convocados e a presidência da CBF. "O contato de alguma pessoa de dentro (da CBF) com os jogadores era raríssimo. Você sabia da convocação pela imprensa e acho que deveria ser diferente. Muitas vezes a CBF peca nesse sentido e até convoca jogador que está contundido sem nem saber disso", afirma.
Por esses razões, Serginho priorizou o clube italiano. "Sempre dei maior valor ao meu clube que à Seleção, porque é meu clube que sabe meus problemas, que está vivendo o dia-a-dia. Eu sempre falei que na vida como jogador profissional você tem que estar onde tem valor. E na Seleção sempre teve esse problema de aproximação de algum membro da CBF", relembra.


