Curitiba - Por 16 anos, Serginho se consagrou pelo lado esquerdo dos gramados. Por ali, veloz e com uma precisão incomum nos cruzamentos, o lateral brilhou no São Paulo, no Milan e na seleção brasileira. Nas últimas nove temporadas, na equipe de Milão, uma das maiores do mundo, fez quase 300 jogos e mostrou versatilidade, atuando também como zagueiro, meia e até como atacante.
Porém há quatro meses, o futebol deixou de fazer parte da vida de Serginho. Ao menos dentro de campo. O jogador pendurou as chuteiras no dia 18 de maio, um mês antes de completar 37 anos. E parou por opção. No futebol italiano e até no próprio Milan, diferente do que ocorre no Brasil, é comum ver jogadores com 39 anos em plena atividade. ''Eu mesmo tinha contrato até o ano que vem. O Maldini, com 40 anos continua jogando. O Cafu parou com 38, mas tive um problema de lesão, uma hérnia de disco e me cobro muito de render o que eu espero e que esperam de mim e não tinha mais condição física para continuar'', afirmou.
Antes de sentir que não teria a mesma explosão física, o ex-são-paulino, com seus fortes arranques, habilidade para dribles curtos e cruzamentos perfeitos para a área, já havia percebido que em plena forma conquistara o que poucos jogadores brasileiros alcançaram. E a não ser o título de campeão mundial com a seleção brasileira, nenhuma outra conquista faltava para completar a gloriosa carreira do jogador. ''Foram vários momentos marcantes no Milan, mas as duas Champions League conquistadas foram especiais. É o máximo de um jogador e para o clube. A não ser a Copa do Mundo, a Champions League é uma competição que dá esse destaque, dá essa possibilidade de jogar em toda Europa. Vou carregar para sempre''.
No entanto, essas boas lembranças só serão guardadas graças aos percalços superados no passado pelo jogador. Assim como a maioria dos jogadores brasileiros que atuam na Europa, Serginho não teve vida fácil assim que se transferiu do São Paulo para o Milan, em 1999. ''O mais difícil são os primeiros meses, a mudança de clima, o idioma, de cultura, o inverno muito duro...Só depois que se domina o idioma, um ano, as coisas começam a melhorar'', relembrou, confessando que não tinha a exata noção do que era viver fora do país e jogar em um grande clube europeu.
''Querendo ou não, jogador quando sai daqui não sabe a cultura real do clube. Minha época era mais complicado, não tinha internet, não tinha nada para saber mais sobre o clube. Era mais complicado'', disse o jogador que brilhou com a camisa são-paulina de 1996 a 1999 e teve 10 convocações com a seleção canarinho.
Outro choque ao chegar na Europa foi o dia-a-dia dos treinamentos no novo clube. Os treinos coletivos eram raros. ''Jogador brasileiro aqui se preocupa muito com a parte técnica. E futebol italiano exige muito mais a parte tática. Todos os movimentos são estudados, tudo programado e a parte tática do futebol italiano tive um aprendizado muito grande'', avaliou.
E o aprendizado foi tão grande que Serginho conseguiu desenvolver todo seu potencial como atleta, atuando como zagueiro, ala ofensivo, meia e até atacante. Plenamente adaptado com a cultura do futebol italiano e com um excelente relacionamento com a diretoria, Serginho, logo após encerrar a carreira, seguiu os passos do ex-lateral Leonardo e assumiu um cargo na administração do clube. Agora ele é consultor do Milan no Brasil e recentemente esteve em Curitiba para lançar o Milan Junior Camp, uma colônia de férias do time italiano que visa aumentar a torcida milanesa no país, e se possível, encontrar outros Serginhos. ''A oportunidade de estar trabalhando com esse projeto não se iguala em jogar, mas é bem próximo'', finalizou.

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