Será difícil ir à Copa, admite Ricardo Oliveira
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006
Giuliano Villa Nova<br> Agência Estado 
São Paulo - O atacante Ricardo Oliveira viveu o maior drama da carreira no dia 1º de novembro de 2005. Num jogo contra o Chelsea, pela Liga dos Campeões da Europa, o jogador do Bétis, que estava na sua melhor fase foi artilheiro do time espanhol ano passado e participava de todas as convocações da seleção brasileira , sofreu lesão no ligamento cruzado anterior do joelho direito. Submetido a cirurgia, em dezembro, ele faz tratamento no CT do São Paulo e só deve voltar a jogar em abril.
Nesta entrevista à Agência Estado, o atacante de 25 anos, revelado pela Portuguesa e com boas passagens por Santos e Valência, da Espanha, diz que está otimista com sua reabilitação, mas reconhece que as chances de disputar a Copa do Mundo diminuíram. ''Agora, o mais importante é eu me recuperar bem'', afirmou Ricardo Oliveira.
Agência Estado - Como está sua recuperação? Há tempo de disputar uma vaga no grupo que vai à Copa?
Ricardo Oliveira - Estou indo muito bem, o joelho está respondendo bem. No fim de março estarei liberado para trabalhar com bola. Recuperar o preparo físico não vai ser problema, porque desde já estou fazendo um trabalho de recondicionamento. Quando estiver liberado da fisioterapia, terei tempo para mostrar o futebol que sei jogar.
AE - Não teme que se repita com você o que ocorreu com o Juninho Paulista, em 1998?
Ricardo - Sei que corro o mesmo risco de ficar fora da Copa, porque a seleção é assim mesmo, a cada ano surgem novos jogadores, principalmente no ataque. Agora, minha prioridade é me recuperar bem e voltar a jogar.
AE - O que é mais difícil no processo de reabilitação?
Ricardo - Mudar a rotina. O jogador está acostumado a ir para o gramado, treinar e jogar. E, de repente, a gente precisa parar, fazer os mesmos exercícios de fisioterapia... a mesma coisa, todos os dias. É preciso força de vontade. Mexe muito com a cabeça. Ainda mais para mim, que estava cada vez mais perto da Copa e num momento muito bom no Bétis.
AE - O que tem a dizer sobre seu time, que é bem menos badalado do que o Real e o Barcelona?
Ricardo - A estrutura do clube ainda não é das melhores, mas apesar de não ser tão popular, o Bétis sempre é difícil de ser batido. A diretoria procura montar boas equipes.
AE - Qual a sensação de ter dado o título da Copa do Rei ao clube, ano passado?
Ricardo - Para nós foi excelente, melhor ainda para o clube, porque a rivalidade local com o Sevilha é muito grande. No dia da final (2 a 1 contra o OsasuÀa, e Ricardo marcou o primeiro gol), metade da cidade não saiu de casa, só os torcedores do Bétis, que festejaram o título nas ruas. Também foi importante levar a equipe pela primeria vez à Liga dos Campões. É gratificante saber que nosso trabalho faz parte da história de um clube europeu.
AE - No Brasil, imaginava-se que o Robinho teria facilidade por atuar na Espanha, porque os zagueiros não seriam tão bons...
Ricardo - Nada disso. A marcação lá também é muito forte. Assim como ele está tendo dificuldade, eu também tive quando cheguei. Hoje, não existe facilidade no futebol. Se um jogador vai bem num campeonato europeu e faz gols, é porque é capaz, não porque teve facilidade.
AE - Todos consideram o Brasil favorito no Mundial. Isso pode atrapalhar os jogadores?
Ricardo - Essa história de favoritismo passa pela cabeça dos jogadores e da comissão técnica. Todos têm experiência para lidar com isso. Claro que em qualquer campeonato que a seleção entre, será favorita. Mas é preciso demonstrar isso em campo. Tradição não faz ninguém ser campeão. Veja o Uruguai, que foi eliminado da Copa pela Austrália, que não representa nada no futebol intermacional.
AE - Que recordações guarda da sua atuação no Brasil? Sua saída da Portuguesa foi conturbada, na Justiça...
Ricardo - Os próprios dirigentes da época me apoiaram, sabiam que eu não tinha culpa nenhuma no que estava acontecendo. Tínhamos conversado algumas vezes e, quando vi que não iríamos chegar num acordo, procurei meus direitos na Justiça. Eles já haviam recebido uma proposta para me negociar com a Europa, e não quiseram me liberar. Acho que ficou tudo esclarecido (Ricardo deixou o Canindé com vários meses de salários atrasados, entre outros encargos trabalhistas).
AE - E no Santos? Só faltou a conquista da Libertadores?
Ricardo - Tive uma boa passagem pelo Santos, mas ficou a frustração de não ter ganho aquele título. Foi uma pena, porque o Boca Juniors não tinha uma equipe tão melhor do que a nossa, e decidimos no Morumbi lotado. Mas perdemos o título no primeiro jogo (2 a 0, na Argentina), quando sofremos dois gols bobos.


