Ser titular, a nova meta de Paraguaio
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sexta-feira, 07 de fevereiro de 2003
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Ele é um cara humilde. Depois do treino, sai caminhando do Estádio Vitorino Gonçalves Dias até sua casa na Avenida Celso Garcia Cid.
Cruza a área central da cidade de camiseta, calção e tênis. Segue sem ser reverenciado. Tietes e autógrafos estão longe do mundo do futebol em Londrina. Mas em compensação, a cobrança do torcedor, o zagueiro que Paraguaio tinha que vencer fora dos campos, já não existe mais.
Então, ontem, Paraguaio abriu mão da sua velocidade no final de tarde de verão. Só queria chegar em casa e descansar, porque hoje tem coletivo e domingo ele quer jogar. Ajudar o Londrina a vencer o União Bandeirante, no clássico regional que consagra e desgraça jogadores.
Mas Paraguaio topa os riscos. Está confiante para entrar em campo e voltar a matar novamente o ''leão'' que insiste em aparecer à frente de quem ganha a vida jogando bola. ''Se não tiver personalidade, não se consegue jogar no Londrina. É muita pressão''.
No início da semana, depois do jogo contra o Grêmio Maringá, ele estava triste. Uma emissora de rádio brincou com seus brios. Lançou um concurso para o ouvinte descobrir quando Paraguaio faria o primeiro gol com a camisa do Tubarão. Não ouviu, mas o síndico do seu prédio lhe contou. ''Quem sabe eles não mudam de opinião?'', respondeu à autoridade do seu condomínio.
O gol veio com um passe dentro da pequena área. Paraguaio teve quer vencer dois zagueiros na velocidade para tocar a bola com raiva e lhe tirar um peso das costas (a última vez que havia comemorado um, com a camisa do Cataratas, foi marcado no final de julho de 2002). ''Foi um dos mais importantes da minha vida''.
Os aplausos, ele soube degustar. ''É uma das coisas mais gratificantes do futebol''.
Paraguaio diz que agora as coisas serão diferentes. Que terá tranquilidade na frente do goleiro, coisa que andou lhe faltando desde que chegou ao Tubarão.
''Fazia minha autocrítica. Pensava: 'O que acontece que eu não faço gol?'''. Ele lembra que as vezes queria arrebentar as redes, quando era preciso apenas um toque sutil. ''O Romário ficou rico fazendo gol dando biquinho na bola'', compara. Nego, o garoto que foi morar em Assunção aos 14 anos para defender o juvenil do Guarany e que ganhou apelido de estrangeiro, já é homem feito, mas, maduro, ainda aprende com sofrimento as lições do futebol.


