No instante em que Vagner comemorava o título da Libertadores, no Estádio Monumental de Quaiaquil, no Equador, Antonio Pereira Nunes, de 85 anos, avô do meia do Vasco, abriu um largo sorriso na frente da telinha da TV Globo. ‘‘Quero que o Bom Jesus da Lapa sempre ajude o meu menino. Ele merece a sorte que tem. Tomara que Deus não largue mais dele’’, disse ele ontem à tarde à Folha, ainda emocionado.
Seo Antonio, como é mais conhecido, trabalhou durante 34 anos como zelador do Estádio Vitorino Gonçalves Dias, o VGD. Contratado em 1963 - morava em Rolândia - ele passou a morar em uma casinha dentro do estádio. O pai de Vagner, o ex-jogador Zé Rubens, abandonou a família. A mãe dele, Maria Aparecida, filha caçula de Antonio, não tinha condições de sustentar o menino. O avô começou a criá-lo nos tempos em que Vagner começou a engatinhar. ‘‘Eu era viúvo e fui a mãe e o pai dos garotos’’, lembra Antonio, referindo-se também a Alexandre, irmão de Vagner.
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superaram clima de hostilidade que encontraram em GuaiaquilAntonio mora nos fundos da residência da filha mais velha, Agripina Pereira de Jesus, que guarda boas recordações de Vagner. ‘‘Era uma criança muito sapeca, que só pensava em futebol. Não gostava de estudar, mas não carregava nenhum vício. Jogava bola dia e noite lá no buracão da Vila Portuguesa. É um sobrinho especial e muito querido.’’ A prima Madelaine concorda. ‘‘Meu primo é um cara legal.’’
Antonio não consegue memorizar direito as datas, mas conta que um dia levaram Vagner para o juvenil do Arapongas. O atual diretor da escolinha da Portuguesa Londrinense, Otávio Gianelli, o Limpa-Trilho, indicou-o ao Paulista de Jundiaí. Vagner transferiu-se para o União de Araras e, em seguida, para o Santos, que vendeu o passe à Roma. O clube italiano o emprestou ao Vasco até o final da temporada.
Antonio nem imagina quanto Vagner ganha, mas sabe que o neto ficou rico e deu uma casa à mãe, que até hoje reside em Londrina (Jardim São Fernando). ‘‘Ele nunca me deu qualquer presentinho, mas eu não preciso de nada. Recebo meu salário mínimo como aposentado.’’
Antonio gosta do Londrina - ‘‘minha grande paixão’’ - mas também torce pelo time que Vagner defende. Como não pode mais andar direito, apenas ouve as notícias pelo rádio. Um dia, ao ouvir um gol de Vagner pelo Santos, levantou-se da cadeira, tentou comemorar, caiu e fraturou o fêmur.Marcos BorgesEm famíliaAntonio Pereira Nunes, 85 anos, avô do meia vascaíno Vagner:
‘Ele merece a sorte que tem. Tomara que Deus não largue mais dele’Nelson Cilo

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