Bedlo Horizonte, 10 (AE) - O processo trabalhista movido pelo goleiro Dida contra o Cruzeiro continuou sem solução, hoje, depois de audiência realizada pela manhã na 25ª Junta de Conciliação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MG), em Belo Horizonte. O juiz João Roberto Borges tentou que as partes chegassem a um acordo, mas sem sucesso, marcou para a quarta-feira, às 17h, o proferimento da sentença sobre o caso. O Cruzeiro exigiu US$ 3 milhões para liberar o passe do atleta, que deixou o clube no início de fevereiro, alegando ter recebido proposta irrecusável do Milan, da Itália.
Dida, acompanhado de duas advogadas, autoras da ação, informou que, caso fosse liberado, abriria mão de uma série de encargos trabalhistas que o clube estaria lhe devendo - como o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço recolhido nos quatro anos em que ficou na Toca da Raposa - e até dos 40% a que teria direito, na venda do próprio passe. Para os dirigentes do time mineiro, no entanto, o que o goleiro deixaria de receber, voluntariamente, não chegaria a R$ 60 mil.
"Não podemos aceitar um prejuízo desses", disse o presidente do Cruzeiro deputado federal José de Oliveira Costa, o Zezé Perrella. "Queremos receber o que achamos que o atleta vale", acrescentou. Uma das advogadas de Dida, Regina Ladeia, lamentou a resistência do clube em fazer um acordo. "Um dos melhores goleiro do Brasil está se sentindo mais um desempregado; agora, só nos resta torcer para que o juiz nos dê ganho de causa", afirmou.
Independente do que Borge decidir, porém, a parte que se sentir prejudicada poderá recorrer mais duas vezes, no TRT-MG e no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília. O processo pode durar dois anos ou mais.
Atualmente reserva do Lugano, da Suiça, clube para o qual foi cedido temporariamente pelo Milan, Dida mostrou-se pessimista em relação a seu futuro. O goleiro disse que, provavelmente na semana que vem, faz as malas e retorna a Belo Horizonte, onde tem uma luxuosa academia de ginástica, para acompanhar de perto os desdobramentos da decisão judicial.
Desde o mês passado, Dida possui um certificado provisório, concedido pela Fifa - a entidade entrou no caso, para tentar forçar um acordo entre o Cruzeiro e o Milan -, para atuar por qualquer clube enquanto não resolve sua situação com o Cruzeiro. Ele acredita, no entanto, que isso não é suficiente. "Esta licença temporária, que vence em breve e pode ser renovada por mais um ano, não dá tranquilidade nem a mim nem ao clube que quiser me contratar", disse.
Outro fator que pode estar desanimando Dida, cujo plano era jogar no campeonato italiano, destacar-se e garantir vaga na seleção brasileira, são as excelentes atuações do goleiro Cristian Abbiati. Oriundo da segunda divisão do campeonato italiano, Abbiati ganhou a vaga de titular no Milan e tem feito importantes defesas, como na vitória de 2 a 0 sobre a Juventus, domingo.
No Cruzeiro, a informação, hoje, era de que as negociações com o Milan sobre a compra do passe de Dida estão "paradas". "Temos um advogado italiano encarregado dessas conversas, mas ele tem nos dito que ainda não há uma proposta oficial do Milan", afirmou o assessor do clube, Valdir Barbosa. O Cruzeiro pedia US$ 4,5 milhões para liberar o goleiro, inicialmente.
Baixou o valor do passe para US$ 3,5 milhões ou US$ 3 milhões, caso Dida abrisse mão dos 40% que lhe caberiam, na venda. O Milan oferece US$ 2 milhões.

mockup