Imagem ilustrativa da imagem Senhor Olimpíadas
| Foto: Gustavo Carneiro
"Houve um esforço concentrado para que não faltasse nada para os atletas e as equipes", defende Romero, que trabalhou no governo mineiro até 2014



Com a experiência de quem participou de cinco Olimpíadas, o londrinense Rogério Romero, 46 anos, falou com exclusividade à FOLHA sobre a sua expectativa para o início dos Jogos Rio-2016, que serão abertos oficialmente hoje, a partir das 20h, no Maracanã.
Finalista em Seul (1988), Barcelona (1992), Atlanta (1996) e Sydney (2000), além de semifinalista em Atenas (2004), o ex-nadador acredita que os brasileiros têm que aproveitar a oportunidade que o país tem de receber o maior evento esportivo do planeta, que pela primeira vez na história é realizado na América do Sul. "Não é esquecer os problemas, mas também lembrar dos benefícios. Temos que torcer para que dê tudo certo e depois cobrar o que deve ser cobrado", frisou.
Romero lembrou que as Olimpíadas equivalem a 30 mundiais em uma mesma cidade e que por isso é um evento muito mais complexo que uma Copa do Mundo. "A crise financeira atrapalha qualquer projeto, mas faz parte de qualquer planejamento também. Como brasileiro eu gostaria de ter a sensação que as pessoas que estão vindo para cá saiam com uma visão positiva".
Bicampeão pan-americano (Havana 1991 e Santo Domingo 2003) na prova dos
200 metros costas, Rogério Romero reside em Belo Horizonte desde 1991 e hoje é gerente de esportes do Minas Tênis Clube, que também defendeu como atleta. Na capital mineira, ele foi um dos condutores da tocha olímpica. Até 2014, Romero foi secretário adjunto da Secretaria Estadual de Turismo e Esporte de Minas Gerais e garante que não faltou dinheiro para a preparação dos atletas brasileiros desde 2009, quando o Rio foi escolhido como cidade sede.
"Houve um esforço concentrado do poder público e de algumas iniciativas privadas para que não faltasse nada para os atletas e as equipes técnicas. Se faltou, foi muito pouco em termos de viagens e condições de treinamento", revelou. O ex-nadador citou ainda a contratação de treinadores estrangeiros, que contribuíram para a evolução de algumas modalidades do país com poucos resultados internacionais, como o caso do handebol feminino, campeão mundial em 2013.
Por outro lado, o londrinense, que começou a nadar nas piscinas da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel), criticou o montante gasto em infraestrutura e, principalmente, de que forma estes aparelhos esportivos serão mantidos. De acordo com ele, existe uma chance real de muitos destes ginásios e instalações se tornarem elefantes brancos, como alguns estádios utilizados na Copa do Mundo. "Quanto custa manter uma piscina, por exemplo? Tenho lá minhas dúvidas se essas contas foram feitas. Construir não é o mais difícil, mas manter, sim. Seria mais eficiente fazer parceria com entidades como o Sesc, Sesi e AABB, que têm uma penetração no Brasil inteiro e já contam com uma estrutura esportiva e muito delas subutilizadas", colocou. "Mas, existe a questão política, que quer sempre inaugurar uma coisa nova. O desafio agora é fechar a conta e ao mesmo tempo deixar estes equipamentos disponíveis para atender o maior número de pessoas. Não será fácil".

CHANCE DE MEDALHAS
A natação terá a maior delegação entre as modalidades brasileiras – serão 33 atletas, número recorde em uma Olimpíada. Rogério Romero elogiou a renovação de nadadores no país, mas está cauteloso em relação as possibilidades de medalhas. "De duas a quatro, o que seria excelente. Duas é o esperado. Mas, zero é esperado também porque se trata de uma Olimpíada", ressaltou o primeiro nadador do mundo a disputar cinco Jogos Olímpicos. Romero aposta em chances de medalhas nas provas do 50m livre, nos 200m medley com Thiago Pereira e o revezamento 4x100m livre.
"Uma prova da renovação é a não classificação do César Cielo. O resultado dele não foi ruim é que os outros dois foram muito bem. E temos a chance de ter dois atletas na final dos 50m livres, o que seria excelente", comentou se referindo a Bruno Fratus e Ítalo Manzine, representantes do país na prova mais rápida da natação.
Romero não se furtou em falar da ausência de Cielo no Rio de Janeiro. Segundo o londrinense, o dono de três medalhas olímpicas não conseguiu se concentrar em um método de treinamento nos últimos quatro anos em virtude da troca constante de treinadores. "É como no futebol. Se muda demais é porque tem alguma coisa errada. Ele não conseguiu encontrar a tempo aquele treinador que entendesse melhor o momento dele, que não era aquele da primeira medalha. Ele é outro atleta hoje, mais consciente, mas com limitações físicas", apontou. "Ele continua sendo uma referência e sempre vai ser. Mas, neste ciclo outros atletas souberam aproveitar melhor o tempo que ele".

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