Brasília, 27 (AE) - O relator da comissão que analisa a medida provisória que cria taxa de bingos para financiar os esportes, senador Maguito Vilela (PMDB-GO), disse que pretende derrubar a obrigatoriedade para que o clubes de futebol se transformem em empresas. Vilela vai ouvir até líderes de torcidas organizadas para opinar sobre as novas regras em relação ao futebol e pretende criar uma taxa de funcionamento de bingos "provisória", só para financiar a participação do Brasil na Olimpíada deste ano, em Sydney.
O senador afirmou que "é uma agressão obrigar o clube a se transformar em empresa", conforme determina a Lei Pelé, e isto inviabilizaria muitos clubes pequenos no interior do País. Ele acha que este dispositivo é inconstitucional. "E se a torcida toda não quiser que o clube vire empresa?", questionou o senador. "Tornar-se empresa será facultativo." O ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, durante depoimento na comissão, defendeu que o assunto seja regulamentado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Modalidades - Vilela afirmou que, no seu parecer, vai manter dispositivo da medida provisória impedindo que uma empresa controle mais de um clube de futebol. O senador, no entanto, vai permitir que um mesmo grupo econômico financie vários tipos de modalidades. Uma empresa que gerenciasse o time de futebol do Flamengo, explicou o senador, não poderia financiar o Botafogo, mas poderia administrar modalidades como vôlei ou basquete.
O senador acredita que a taxa para funcionamento de bingos só deve vigorar este ano, para permitir que o Brasil leve boas equipes para a Olimpíada, na Austrália. Vilela acha que o governo federal pode encontrar novas formas de arrecadação para investimento em esporte. Rafael Greca disse que já está sendo criado um grupo de trabalho para estudar novas fórmulas de financiamento ao esporte.
Greca disse que o governo federal, ao sugerir taxa de R$ 6 mil mensais para funcionamento de bingos permanentes e R$ 4 mil para cada bingo eventual, pretende arrecadar R$ 70 milhões por ano. Somente para o Comitê Olímpico Brasileiro levar as equipes à Olimpíada seriam destinados R$ 21 milhões.
O governo federal, no entanto, pretende disponibilizar a metade da arrecadação para melhorar sua fiscalização sobre os bingos. Vilela disse a Greca que não concorda em disponibilizar quase a metade do dinheiro para fiscalização e pretende instituir mecanismo para que o dinheiro seja investido totalmente no esporte.
Greca ouviu reclamações dos parlamentares sobre a falta de controle sobre os bingos no País e prometeu criar uma cartela "oficial" para sorteios de bingos permanentes e eventuais, com código de barras, controladas pela Caixa Econômica Federal. "Assumo o compromisso de implantar as cartelas com código de barras", disse o ministro.
Maguito pretende apresentar seu relatório ao plenário do Senado dentro de 30 dias. O senador vai convidar o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, representantes do Clube dos 13, treinadores de futebol e líderes de torcidas organizadas, antes de concluir seu relatório.

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