Por falta de consenso, Câmara e Senado vão instalar CPIs distintas para investigar irregularidades no futebol brasileiro. No fim da tarde de ontem, os líderes dos partidos no Senado escolhiam os nomes que indicariam para integrar a CPI do Futebol. Diante do desinteresse do Senado em compartilhar uma CPI mista, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), anunciou à tarde a instalação da CPI da Nike e solicitou aos líderes que apresentassem os deputados que representam cada partido.
Temer determinou, também, que fossem tomadas providências para encerrar uma das cinco CPIs já em funcionamento na casa para que possa ser instalada imediatamente a que vai investigar o contrato de patrocínio entre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Nike. A decisão foi tomada depois que o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), declarou que não interromperia a tramitação da CPI do Futebol no Senado para possibilitar a instalação de uma CPI mista – integrada por deputados e senadores.
A informação de que o Senado insistiria em manter uma CPI própria foi anunciada na segunda-feira pelos senadores Álvaro Dias (PMDB-PR) e José Roberto Arruda (PSDB-DF), após uma reunião com Antônio Carlos Magalhães. Quando chegou ao Congresso, ACM já havia dado sinais de que não apoiaria a CPI mista. ‘‘A CPI do Senado já está pronta; se a Câmara quiser, faça outra.’’
Mais tarde, após um contato com Temer, ACM chegou a comentar que não tinha ‘‘nada a opor’’ à CPI mista, que dependeria de nova coleta de assinaturas, com a adesão de 171 deputados e 27 senadores. Deixou claro, porém, que pretendia ouvir a opinião de Álvaro Dias, autor do requerimento de instalação da CPI no Senado. Álvaro era contra, assim como diversos líderes consultados por Arruda. ‘‘A CPI no Senado será mais eficiente’’, afirmou Álvaro, referindo-se ao fato de que na Câmara há deputados ligados a clubes e à CBF, o que poderia prejudicar os trabalhos.
Eurico Miranda – Cartola do futebol, o deputado Eurico Miranda (PPB-RJ) criticou ontem a realização de duas CPIs simultâneas. Ele disse que é favorável à CPI, mas era contra a exploração eleitoreira que poderia ter ocorrido se a comissão tivesse sido instalada antes das eleições municipais. E não admite investigação com intuito policialesco.
O deputado e vice-presidente do Vasco discorda de Álvaro Dias, que quer convocar o ex-técnico da seleção brasileira Wanderley Luxemburgo. ‘‘O que isso vai resolver o problema do futebol?’’, questiona e afirma que se trata de uma questão individual, um problema da Receita Federal. Ele acredita ainda que poderá haver uma banalização do problema do futebol se as CPIs decidirem expor técnicos, jogadores e clubes sonegadores. Também acha que não se deve tocar na questão da transferência de jogadores brasileiros para clubes estrangeiros – e nem convocar diretores da Nike para explicar contrato de patrocínio com a Confederação Brasileria de Futebol, motivo que levou o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) a solicitar a abertura de uma CPI na Câmara. Para Miranda, basta analisar o contrato.
Jogadores – Embora demonstrem desconhecimento sobre o tema, os jogadores da Seleção Brasileira apóiam a CPI. Todos garantiram que não temem a comissão por pagarem em dia os impostos. O técnico Candinho não quis comentar o assunto.

mockup