Sempre vivo - Futebol Raiz
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segunda-feira, 25 de dezembro de 2017
Lucio Flávio Cruz<br> Reportagem Local 

Apesar de todas as dificuldades e da perda de visibilidade, o futebol amador ainda resiste em Londrina. As equipes buscam apoio das comunidades onde estão inseridas para sobreviverem e a Liga de Futebol de Londrina se desdobra para administrar bem os recursos públicos recebidos para a disseminação da modalidade.
Por meio do Feipe (Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos), em convênio com a FEL (Fundação de Esportes de Londrina), a Liga recebeu R$ 270 mil para a realização de competições adultas e também das categorias de base este ano. A entidade banca todas as despesas dos campeonatos e os clubes pagam apenas a inscrição. Em 2017, o dinheiro, entretanto, só foi repassado no meio do ano e com isso os torneios só puderam ser disputados no segundo semestre.
"Isso atrapalhou a nossa programação e o andamento das competições. Tivemos que realizar um campeonato com custos para os clubes no primeiro semestre para bancar as nossas despesas fixas", afirma o presidente da Liga de Futebol, Otávio Gianelli, o popular Limpa Trilho. "No fim, não conseguimos utilizar todos os recursos e sem este atraso poderíamos realizar mais competições".
O torneio mais importante do calendário é o Campeonato Metropolitano. Na zona urbana, foram 10 equipes e o título ficou com a Vila Ricardo. No rural, foram disputadas as categorias titular e aspirante, com oito times, sendo campeões Paiquerê e Warta, respectivamente. Foram disputados ainda a Copa dos Campeões, com equipes da zona urbana e rural, e a Taça Cidade de Londrina Máster.
Com poucos recursos, a paixão pelo futebol amador sobrevive pelo esforço pessoal de alguns pouco abnegados. "Temos o apoio de muitas pessoas do distrito até porque você não consegue ter time de qualidade se não tiver um agradinho aos jogadores", confessa Júnior Hilário, 35 anos, técnico e dirigente do Paiquerê.
Hilário garante que gasta R$ 1,2 mil por jogo só em "cachês" para os jogadores e o custo total na competição chegou a R$ 20 mil. "Se quiser ganhar tem que investir porque senão você fica para trás e perde os melhores atletas", ressalta.
A realidade é um pouco diferente na zona urbana. A maioria dos clubes não tem condição de bancar os jogadores e os times acabam sendo formados por atletas da própria comunidade. "Não temos apoio de ninguém e acabamos colocando dinheiro do bolso. Os jogadores aqui não ganham, mas sempre tem que ajudar com um combustível e aquele churrasquinho depois do jogo", conta o empresário Abílio Mesquita, que há seis anos banca o time da Vila Ricardo. "A gente ajuda porque gosta, quer ganhar. E, no fim, o futebol acaba sendo um meio para livrar os jovens das coisas erradas".
Estreitando os laços
A Liga de Futebol promete estreitar a parceira com a FEL em busca de aumentar a participação de equipes no futebol amador do município. "Queremos incentivar a participação dos times dos conjuntos habitacionais. A maioria, inclusive, possui campos e vamos trabalhar para que eles disputem as competições. Na zona rural, a ideia é fazer uma competição regional, nos moldes da antiga Copa Norte", revela Limpa Trilho.


