Semifinalista do tênis não sabia que estava inscrita na Olimpíada


DEMÉTRIO VECCHIOLI
DEMÉTRIO VECCHIOLI

TÓQUIO, JAPÃO (UOL/FOLHAPRESS) - Laura Pigossi estava prestes a jogar a semifinal de um torneio satélite em Nur-Sultan, no Cazaquistão, mas seu telefone celular não parava de tocar. O que poderia ser tão urgente que o gerente esportivo da CBT (Confederação Brasileira de Tênis), Eduardo Frick, tanto insistia?

Achou que poderia ser um aviso de que haveria algum novo torneio no Brasil, coisa do tipo, nada que não pudesse esperar aquele jogo que valia uma premiação de U$S 836. "Eu falava [por mensagem]: 'Vou jogar a semifinal e depois eu te ligo'. E ele: 'Não, é urgente'."

Diante da insistência, atendeu. Do outro lado da linha, Frick perguntou se a número 188 do ranking mundial tinha vontade e disposição de pegar um avião e viajar para Tóquio para começar a disputar uma Olimpíada dali a exatos oito dias.

Até aquele momento, Laura sequer sabia que existia essa possibilidade. Em duplas, as dez primeiras do ranking mundial têm lugar garantido, junto com as parceiras escolhidas, quem vai jogar simples também pode formar duplas e se inscrever, e as vagas que sobram são distribuídas com base do ranking somado das jogadoras.

Laura, então 190 do mundo, nunca achou que pudesse ter chance. Por isso, sequer conversou com a CBT sobre uma eventual inscrição. Sorte dela que Eduardo Frick resolveu arriscar. Sem nem avisar a jogadora, inscreveu a dupla dela com Luisa, e ficou esperando para ver o que acontecia —depois de várias desistências e contando com a falta de esperança de outros países, poderia sobrar uma vaguinha.

No último dia de inscrições finais, a ITF (Federação Internacional de Tênis, na sigla em inglês) avisou que havia sobrado uma vaga, e que, na lista de espera, o Brasil era o próximo. Foi aí que ele ligou para Laura, para saber se ela queria jogar. Faltava só uma hora para o prazo-limite quando ela atendeu o telefone e disse que sim, claro.

Já era à tarde no Cazaquistão, manhã no Brasil, e ainda de madrugada nos Estados Unidos, onde estava Luisa Stefani. E aí veio a segunda dificuldade. Ela estava dormindo e não acordava de jeito nenhum. Acabou ouvindo o celular e recebendo a boa nova.

"Já tinha deixado para lá as Olimpíadas, queria muito ir, mas era o último dia, e a gente estava fora da lista. Já tinha aceitado e estava torcendo para outros brasileiros. Aí ligaram com a melhor noticia impossível. Depois, uma das primeiras pessoas a ligar foi a Laura. As duas gritando no telefone... O resto é história."

E que história! Inscritas literalmente na última hora, elas contaram com um esforço de logística da CBT e do COB (Comitê Olímpico do Brasil) para trazê-las até Tóquio, onde fizeram o primeiro jogo no sábado (24). Venceram uma dupla canadense e avançaram para enfrentar uma dupla da República Tcheca, quarta cabeça de chave —mais uma vitória.

Nesta quarta-feira (28), elas venceram as americanas Bethanie Mattek-Sands e Jessica Pegula, que são, respectivamente, número 13 e 51 do ranking de duplas. Com isso, estão classificadas para a semifinal olímpica. Se vencerem, disputam ouro e prata. Caso percam, ainda podem tentar o bronze.

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