Semifinal foi disputada em clima de fim-de-festa
Luiz Claudio Oliveira
Enviado da Folha
O último jogo da Seleção Brasileira no Estádio Três de Febrero, em Ciudad del Este nem parecia uma semifinal da Copa América. O clima estava mais para fim-de-festa tal a frieza dos torcedores que compareceram em pequeno número. As razões para a ausência de público podem ser resumidas em três pontos: o aumento do preço dos ingressos, a saída do Paraguai que foi eliminado da competição nas quartas-de-final, e as más apresentações da Seleção no torneio. Apesar de estar vencendo, os jogadores brasileiros não estão convencendo.
Até as 18h30 (horário de Brasília), o Banco Continental, que vende os ingressos em Ciudad del Este havia comercializado apenas 1.800 entradas da carga de sete mil que havia recebido no dia. Os cambistas, que sempre têm os ingressos na mão antes dos torcedores, estavam liquidando os bilhetes a US$ 10 três horas antes do jogo começar. Eles admitiam que teriam prejuízo e que poderiam baixar o preço momentos antes do jogo.
A torcida só começou a aparecer no Três de Febrero duas horas antes da partida e, mesmo assim, timidamente. Pouco mais de uma hora e meia antes do horário de início do jogo, metade dos refletores se apagaram. No primeiro dia da Copa América, em Ciudad del Este, um apagão que durou cerca de meia hora atrapalhara as festividades de abertura do evento. Desta vez, o meio-apagão durou até meia-hora antes do começo do jogo.
O clima de apreensão dos brasileiros supersticiosos começou no momento em que algumas mudanças aconteceram em relação aos jogos anteriores. A banda de música, por exemplo, desta vez não entrou no gramado, tocando do lado de fora. Os bancos de reserva foram invertidos ao contrário das partidas passadas. Mas bastou a bola rolar para que a apreensão desaparecesse. O Brasil jogava bem melhor que o México no primeiro tempo. Tanto que teve oito chances de gol contra quatro do México. A marcação mexicana deixava espaços no lado esquerdo do ataque brasileiro, que foram bem aproveitados por Zé Roberto. Tanto que o gol nasceu deste lado, com Emerson lançando Zé Roberto por duas vezes seguidas antes que Rivaldo cabeceasse a bola contra a trave e esta sobrasse para o artilheiro da Copa América.
O segundo gol nasceu pelo meio e causou alguma polêmica nas arquibancadas. Quando Rivaldo lançou Ronaldo e este recebeu a falta, o árbitro Byron Moreno, do Equador, fez menção que iria apitar, mas Rivaldo chegou na bola e chutou para marcar. Alguns repórteres juraram que ouviram o apito do árbitro e por isso a defesa do México teria parado na jogada. Mas como nenhum mexicano reclamou ...
O segundo tempo foi bem morno, com o Brasil limitando-se a tocar a bola lentamente e sem aproveitar os contra-ataques. Wanderley Luxemburgo trocou Ronaldo - que saiu de campo vaiado - por Ronaldinho e ainda fez entrar Beto e Alex nos lugares de Flávio Conceição e Amoroso. Mas nada de mais importante aconteceu e a zebra não apareceu na despedida da Seleção do estádio Três de Febrero, em Ciudad del Este.





