Sem verba, atletas vão direto ao Mundial
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quarta-feira, 11 de abril de 2007
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
Cinco atletas da Academia Madureira, de Londrina, e mais o técnico Fernando Madureira viajam no próximo dia 20 para Belo Horizonte para um período de preparação para o Mundial Adulto de Taekwondo, que acontecerá entre 18 e 22 de maio, em Pequim. Eles ficarão concentrados no Centro de Treinamento da Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTkd) e de lá irão direto para a China. A seleção brasileira participará com 16 atletas - oito no feminino e oito no masculino.
O destaque de Londrina é Natália Falavigna, 22 anos, a única brasileira a ter conquistado um título mundial, na categoria até 72 kg. Ela defenderá na China a medalha de ouro obtida no Mundial de Madri, em 2005. Os outros são Diogo Silva (até 67 kg), Licínio Soares (até 72 kg), Gilvan Santos (até 54 kg) e Paula Cruz (até 55 kg). Eles obtiveram as vagas em uma seletiva realizada em Belo Horizonte, em março.
Foi essa justamente a única competição disputada por Natália este ano. Em entrevista ao portal UOL, na semana passada, ela disse que está preocupada em ir ao Mundial sem ritmo de luta. ''Vou ter que defender o título sem ter lutado internacionalmente. Minha base são só os treinamentos com os meninos na academia (ela treina com os atletas masculinos do seu peso)'', afirmou.
A lutadora lamenta o cancelamento de três torneios europeus que estavam em sua programação e que ela dava certos para se preparar para o Mundial. Um deles era o Alemanha Open, realizado na semana passada e que teve a participação de apenas dois brasileiros - que viajaram com recursos próprios do bolsa-atleta. Diogo Silva foi medalha de prata até 67 kg, enquanto Marcel Wenceslau não passou das semifinais até 58 kg.
Outros dois torneios na mira de Natália eram os Abertos da Bélgica e da Holanda, previstos para as próximas semanas. O anúncio da desistência do Brasil de participar das competições foi feito há poucas semanas pela CBTkd, que argumentou falta de verbas para as viagens.
''Reconhecemos que os atletas precisam competir lá fora para se apresentarem bem no Mundial, mas tivemos um corte brusco no nosso orçamento com o fechamento de bingos que nos repassavam R$ 470 mil por ano. Daí fomos obrigados a cancelar os torneios'', explicou à Folha o vice-presidente da CBTkd, Marcelino Soares Barros.
A principal prejudicada acabou sendo Natália, a única da seleção que não tem adversárias à altura no Brasil e precisaria lutar fora do País. ''Estou indo defender um título e todo mundo vai vir pra cima de mim. As adversárias já sabem que não estou competindo e é o tipo de coisa que faz o adversário crescer'', lamentou Natália na entrevista.
Ontem, procurada pela Folha, a lutadora disse que não falaria mais sobre o assunto, mas adiantou que na segunda-feira poderá anunciar novidades. ''Espero acertar um torneio na Espanha antes do Mundial'', informou.


