Nassau - Num evento com pequena presença de autoridades regionais do Brasil, a Fifa anunciou na tarde de ontem, em Nassau, nas Bahamas, as 12 cidades brasileiras que irão receber os jogos na Copa do Mundo de 2014. Acabou o mistério: Cuiabá levou a melhor sobre Campo Grande na disputa pela vaga do Pantanal, enquanto Manaus superou Belém na briga interna da Amazônia. No mais, nenhuma surpresa: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo completam a lista das escolhidas.
Preteridas na disputa entre as 17 candidatas, Belém, Campo Grande, Florianópolis, Goiânia e Rio Branco não vão receber jogos do Mundial. ''Peço que todos os brasileiros compreendam que não podemos ir a todas as cidades. As que ficaram fora também terão um pedaço desse bolo. Vão receber nossos eventos'', discursou o presidente da Fifa, Joseph Blatter, durante o anúncio oficial das escolhidas ontem.
Durante todo o mês de maio, o presidente Ricardo Teixeira abriu as portas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no Rio, para receber uma peregrinação de políticos e empresários num último esforço de campanha antes da escolha final. A maioria deles, no entanto, preferiu acompanhar de longe o anúncio das sedes. ''Muitos nem vieram porque já sabiam o resultado'', afirmou o secretário de Esporte, Turismo e Cultura de Santa Catarina, Gilmar Knaesel.
Segundo a CBF, os governantes estaduais e municipais envolvidos na disputa foram informados que o encontro de ontem se tratava apenas de uma coletiva de imprensa e, por isso, não viajaram para as Bahamas. ''Já chegamos aqui (em Nassau) com as cidades escolhidas'', admitiu o secretário geral da Fifa, Jérôme Valcke.
''A questão não é apenas ser ou não ser sede, mas participar. Os empregos e investimentos da Copa não vão ficar restritos às sedes, e todas as outras cidades podem contar conosco se quiserem apresentar um projeto'', disse Ricardo Teixeira, que já mandou um recado às cidades escolhidas. ''O trabalho começa agora, e é preciso estar à altura desse grande privilégio.''
A princípio, Fifa não queria a Copa de 2014 com 12 sedes. Preferia dez, mas cedeu aos anseios do Comitê Organizador do evento, presidido por Ricardo Teixeira, e do próprio governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Mundial de 1950, o primeiro e único realizado no Brasil até hoje, teve jogos em seis cidades: Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Agora, o número dobrou, representando todas as cinco regiões do País.
Dessa vez, o Nordeste se sobressaiu, com quatro sedes escolhidas (Natal, Recife, Salvador e Fortaleza), muito em função de sua proximidade maior com a Europa e da boa rede hoteleira - todas têm vocação turística. Ao falar sobre isso, Blatter cometeu uma gafe. Citou Belém como uma cidade da região e foi imediatamente corrigido por Ricardo Teixeira.
Vencida a primeira etapa, virá logo em seguida uma verdadeira prova de fogo. As 12 cidades eleitas vão participar no dia 8 junho, no Rio, de um congresso organizado pela Fifa para tratar exclusivamente dos estádios - provavelmente, o maior problema das candidaturas brasileiras, porque atualmente não há nenhum pronto para o evento. ''Certamente alguns projetos vão ser modificados'', avisou Ricardo Teixeira, sem dar mais detalhes sobre o assunto.
Depois, em agosto, as 12 sedes brasileiras terão de estar com o edital de licitação dos estádios pronto, a fim de evitar pagamento de multa e atraso na conclusão das obras. Mas, por enquanto, nem a Fifa e nem a CBF quiseram confirmar quais cidades irão receber o jogo de abertura e a final da Copa de 2014: São Paulo e Rio são os grandes favoritos.

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