Curitiba - Mais do que o início de uma nova temporada do Campeonato Mundial de Fórmula 1, o GP da Austrália marca o fim de uma era. Depois de conquistar sete títulos e quebrar todos os recordes possíveis, Michael Schumacher não estará no grid de largada. O peso de sua ausência, comparável nas últimas duas décadas apenas à aposentadoria de Alain Prost e à morte de Ayrton Senna, só será sentido ao longo da temporada.
Não é fácil apontar o sucessor do alemão, pricipalmente porque o principal candidato ao posto, o atual bicampeão Fernando Alonso, estréia na Mclaren, verdadeira incógnita para 2007. Se conseguir reorganizar a equipe a seu redor, e puder contar com maior resistência dos motores Mercedes-Benz, o espanhol pode lutar pelo terceiro título consecutivo.
Mas sem a presença do heptacampeão, quem ganhou ares de favorito na pré-temporada foi Felipe Massa. Depois de cumprir o papel de aprendiz, o brasileiro conta com a boa ambientação na Ferrari para largar na frente na briga interna com o finlandês Kimi Raikkonen, com quem disputa a condição de primeiro piloto da escuderia.
Os três lideram a bolsa de apostas principalmente porque a Renault, equipe que garantiu os títulos de Alonso, segue com Giancarlo Fisichella, em sua derradeira chance de brilhar. Ao lado do veterano italiano estará um novato que pode surpreender, Heikki Kovalainen, que luta pelo título de melhor estreante com Lewis Hamilton, debutante da McLaren.
A exemplo das últimas temporadas, a briga pelo campeonato deve se restringir a estas três equipes. A novidade é a quarta força, posição conquistada pela BMW nos testes de inverno. A equipe bávara pode até levar Nick Heidfeld e Robert Kubica ao topo do pódio em algumas provas. Algo um pouco mais distante da Honda, que mantém Rubens Barrichello e Jason Button. O bólido japonês nasceu com problemas de projeto e precisa de uma revisão antes de se candidatar a vencer.
A também oriental Toyota repete o discurso de constante evolução, e deve colher os mesmos resultados das últimas temporadas, sempre com Ralf Schumacher e Jarno Trulli. Nada que justifique o segundo maior orçamento da categoria. Já as irmãs Red Bull e Toro Rosso fazem mais barulho nos bastidores do que na pista. A mais velha conta com o talento já desgastado de David Coulthard e com a eterna promessa Mark Webber, que ao menos terão o bom motor Renault. A caçula segue com os desastrados Vitantonio Liuzzi e Scott Speed, agora impulsionados por propulsores da Ferrari.
A empobrecida Williams, com o novo motor Toyota, busca reviver seus melhores dias com o promissor Nico Rosberg e com o veterano Alexander Wurz. No fundo do grid a quase estreante Spyker, também com motores Ferrari, alinha com o piloto-pagante Christian Albers e com o novato Adrian Sutil. E a Super Aguri, filial da Honda criada para abrigar Takuma Sato, agora ao lado de Anthony Davidson.

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