Sem salário, Milton do O pode conquistar passe livre na Justiça
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quarta-feira, 30 de agosto de 2000
Fernando Tupan e Ed Carlos Rocha De Curitiba 
Virou moda: clube que não paga salários perde passe de jogador na Justiça do Trabalho. Houve dois casos recentes, um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro, envolvendo os meias Rogério, do Palmeiras, e Reidner, do Botafogo. No passado, o Paraná Clube já sentiu na pele esse problema ao perder o passe do meia Sidney, que não recebeu três meses de salário no Fluminense, clube no qual jogava por empréstimo.
Agora, o próprio Paraná Clube se vê novamente com a ameaça de perder o passe de um outro alteta: o zagueiro Milton do Ó. Na próxima segunda-feira, provavelmente, o juiz Élder de Souza Pedroza da 18ª Vara do Trabalho de Curitiba, dá um parecer sobre o caso do jogador, que entrou na Justiça do Trabalho para ganhar o passe, alegando não receber salários.
O juiz já ouviu a versão do Paraná Clube que nega ter atrasado os salários e do jogador, que reclama, por meio do seu advogado, Augusto Mafuz, estar sendo prejudicado por não poder jogar. Na última segunda-feira, clube e jogador tiveram uma audiência com o juiz, mas não houve acordo. O Paraná está trazendo prejuízos para o jogador. Na audiência de reconciliação, o clube não foi capaz de apresentar sequer uma proposta para renovar com o Milton, numa prova que quer acabar com a carreira do atleta, disse Mafuz. O Paraná não vai oferecer mais do que pode para renovar com o jogador, confirma o diretor de futebol do tricolor, Ocimar Bolicenho.
A pendenga toda começou no final de julho, quando venceu o contrato do atleta. Milton ganhava R$ 14 mil por mês, mas o Paraná ofereceu R$ 5 mil para renovar contrato. O jogador, que está com 21 anos e não joga profissionalmente desde a semifinal do último Campeonato Paranaense, não aceitou e, alegando não ter recebido os salários de junho e julho, tentou na Justiça ficar com o próprio passe para poder atuar por outro clube.
Mafuz não poupa críticas ao clube. Quando a ação foi proposta, o Paraná devia dois meses de salário e ajuda de custo; além de nove meses de luvas e de auxílio moradia. A mãe do zagueiro teve que retirar dinheiro da aposentadoria para emprestar ao garoto.
Os dirigentes paranistas tentaram mudar o rumo da ação com uma manobra: depositou dois meses de salário e ajuda de custo na conta do zagueiro. Mas, segundo o advogado, a lei é clara: A condição existe no momento da entrada da ação. Eles tentaram outras manobras. Propuseram até mesmo emprestar o atleta para o Altético Paranaense em troca de Luisinho Vieira.
Para tentar liberar o passe do cliente, Mafuz se baseia principalmente na irredutibilidade do salário, artigo sétimo da Constituição Brasileira. O Paraná fez uma proposta inferior ao que jogador ganha. O salário dele era de R$ 14 mil, incluindo ajuda de custo, moradia, alimentação e etc.


