'Sem Romário, não ganharíamos a Copa de 94'
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sábado, 13 de maio de 2006
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Ele viveu o céu e o inferno com a camisa amarelinha. Participou do fiasco na Itália em 1990 e do triunfo nos Estados Unidos em 1994. Ricardo Rocha foi um dos grandes zagueiros do futebol brasileiro e tem autoridade de sobra para disparar: ''Sem o Romário, não ganharíamos a Copa de 94''.
Rocha faz questão de ressaltar a importância do Baixinho para acabar com o jejum de 24 anos sem conquistas. Ele, porém, acredita que a seleção brasileira conseguiria a vaga para a competição sem precisar da ajuda do amigo.
Prestes a ficar de fora da Copa, o técnico Carlos Alberto Parreira deixou a teimosia de lado e acatou o desejo da torcida, convocando Romário para o jogo decisivo contra o Uruguai, no Maracanã. E o marrento atacante não decepcionou. Fez os dois gols da vitória por 2 a 0 e carimbou o passaporte brasileiro para os Estados Unidos. ''Com o Romário ou sem ele, iríamos conseguir a vaga. O time estava consciente e focado no objetivo. Não perderíamos de jeito nenhum. Mas sem ele, não teríamos vencido a Copa'', apontou Rocha.
O ex-zagueiro é só elogios ao polêmico atacante. ''É aquele tipo de jogador que desequilibra. Romário, Maradona, Garrincha e Pelé são gênios do futebol'', exaltou.
Tanto Ricardo Rocha como Romário faziam parte de um grupo que havia visto o inferno de perto quatro anos antes, na Copa da Itália. Com uma das piores e mais desorganizadas seleções brasileiras de todos os tempos, o time fracassou justamente diante da maior rival, Argentina. ''Não é porque era a Argentina, mas era porque tínhamos perdido a Copa. Ia ficar p... de qualquer jeito perdendo para qualquer que fosse a seleção'', contou o ex-zagueiro.
Crucificação Dez jogadores de 1990 voltaram a disputar a Copa, em 94. Taffarel, Jorginho, Dunga, Branco, Aldair, Muller, Bebeto e Mazinho, além de Rocha e Romário, carregavam consigo o peso de apagar a péssima imagem deixada quatro anos antes. ''A gente estava tão sofrido com 90 e, além disso, tinha o peso de 24 anos sem dar a volta olímpica'', desabafou o ex-zagueiro. ''A Copa para esse grupo era fundamental. Era a última chance da maioria. A gente já sabia o que era perder uma Copa e precisávamos saber como era ganhar uma. Não demos espetáculo, mas jogamos para sermos campeões''.
Rocha viu de perto também a crucificação de dois jogadores que foram fundamentais para a conquista nos Estados Unidos. Dunga e Branco foram os principais alvos dos bombardeios após o fiasco da seleção de Sebastião Lazaroni, na famosa ''Era Dunga''. ''Teve Era Júnior, Era Zico e outras, mas lembram somente da Era Dunga'', disse, em tom indignado.
O ex-zagueiro assistiu quase todo o Mundial do banco de reservas. Perdeu a posição para uma contusão ainda na partida de estréia, contra a Rússia e viu o seu substituto, Márcio Santos, ser eleito o melhor zagueiro do torneio. ''A dupla titular era o Ricardo Gomes e eu. Ele se machucou um pouco antes da Copa e eu na estréia. Graças a Deus deu tudo certo. O Aldair e o Márcio Santos formaram a melhor dupla do mundial. Jogaram muito'', reconheceu.
O pernambucano Ricardo Roberto Barreto da Rocha começou a carreira em 1982, no Santo Amaro-PE, jogou também no Santa Cruz, Guarani, Sporting de Portugal, São Paulo, Real Madrid, Santos, Vasco, Fluminense, Newll's Old Boys (Argentina) e encerrou a carreira no Flamengo, em 1999. Neste período, foram 43 jogos pela seleção brasileira e duas Copas 90 e 94. Hoje, aos 44 anos, é sócio do também ex-zagueiro Alexandre Torres, filho do capitão do tri, Carlos Alberto Torres, numa empresa de consultoria e marketing esportivo, que é parceira do Londrina Esporte Clube.


