Sem opções, LEC adia 'degola'
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segunda-feira, 14 de agosto de 2000
Claudemir Scalone De Londrina 
A degola anunciada no Londrina acabou não acontecendo ontem. A proximidade do jogo de amanhã contra o Joinville, em Santa Catarina, e a dificuldade em conseguir bons jogadores que ainda não tenham jogado por qualquer um dos módulos da Copa João Havelange foram os principais obstáculos para a demissão em massa prometida pelos dirigentes após a derrota vexatória por 3 a 0 para o 15 de Piracicaba, domingo, no Estádio do Café.
O Londrina, que sempre tem cumprido boas campanhas na Segundona nacional, faz papel ridículo este ano: perdeu seus dois jogos no Grupo A do Módulo Amarelo, sofreu 5 gols e não marcou nenhum. Se contabilizar os jogos finais do Campeonato Paranaense e o amistoso contra o União, o Tubarão amarga seis partidas em fazer gols ou 540 minutos sem atingir as redes adversárias. É de fazer inveja ao Íbis, de Pernambuco, que até pouco tempo atrás era tido como o pior time do mundo.
E antes que o Tubarão passe a virar chacota nacional, os empresários Roberto Campi e Ciro Antônio Rios, que assumiram o departamento de futebol do clube, anunciam medidas radicais para mudar a cara do time. Pelo menos oito jogadores serão dispensados, afirmou Roberto Campi ontem à tarde no VGD. O dirigente não quis antecipar nomes dos futuros demitidos. Eles (jogadores) não sabem ainda, mas já estão imaginando, disse ele, referindo-se à dura conversa que os dirigentes e comissão técnica tiveram com os atletas antes do treino de ontem no VGD.
Nas entrevistas, os empresários não só assimilaram as críticas da imprensa e da torcida como também fazem coro à revolta geral com a pouca qualidade apresentada pela maioria dos jogadores. Estou triste e aborrecido, como está o povo, desabafou Roberto Campi, mostrando frustração com o rendimento de jogadores nos quais depositava confiança. A reclamação é justa. Se eu fosse torcedor, bateria nos jogadores, disse irritado Ciro Rios, para quem a torcida até que foi paciente com o time. A torcida Falange Azul mantinha ontem no VGD sua faixa de ponta cabeça em sinal de protesto.
Dentro de campo, o técnico Valter Ferreira também não esconde sua decepção. Nada me agradou contra o 15, resumiu ele. No entanto, o treinador não promete muitas alterações na equipe em Joinville. Com poucas opções qualitativas, Ferreira não quer mexer no time-base. Mas ele exige mais empenho dos jogadores. Temos que ter vergonha na cara e hombridade para reverter esta situação. O jogador que não tiver personalidade forte para conviver com estes momentos vai ser sempre um perdedor no futebol, disparou o técnico, que ainda crê num poder de reação do grupo. Os jogadores que mostrarem reação vão ter meu apoio, disse ele, num sinal que o jogo de amanhã vai ser o teste final para alguns jogadores.
Do time que iniciou o jogo contra o 15, duas posições serão alteradas. Rodney entra na zaga no lugar de Alex, que foi expulso do jogo. O atacante Vágner, destaque do time no Estadual, praticamente assegurou sua presença no time. A definição do time sai no treino tático hoje, às 9 horas, no VGD. A viagem a Joinville acontece às 18h30.
A partida de domingo contra o América-RJ deve acontecer no VGD, que está tendo seu alambrado trocado.


