Sem ter conseguido convencer os principais treinadores do País, o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira, anunciou ontem o ex-goleiro Emerson Leão como o novo técnico da seleção brasileira.
O técnico do Sport, que tem uma carreira discreta como treinador, foi a alternativa encontrada pelo coordenador-técnico Antônio Lopes para suceder Wanderley Luxemburgo.
Antes, a CBF já havia escutado negativas de Luiz Felipe Scolari, do Cruzeiro, Carlos Alberto Parreira, do Atlético-MG, e Oswaldo de Oliveira, do Vasco.
Sem opção, Lopes teve que mudar o seu discurso ao acertar a contratação de Leão. Ao assumir o cargo, o novo coordenador técnico fez elogios a vários treinadores e jamais citou o nome de Leão. Na ocasião, ele também disse que o substituto de Luxemburgo teria um perfil ‘‘light’’, o que acabou não ocorrendo. Leão não esconde o seu estilo polêmico.
Na sua carreira, Leão sempre entrou em conflito com as principais estrelas dos times que comandou. No ano passado, ele chegou a barrar o volante Dunga, principal ídolo da torcida do Internacional, quando trabalhava no time gaúcho.
No Atlético-MG, Leão também entrou em conflito com o goleiro Taffarel, que era o principal jogador do clube. Na ocasião, ele barrou o ex-goleiro da seleção. ‘‘Não tenho uma personalidade forte. Apenas tenho personalidade’’, disse o novo treinador, ao definir o seu estilo.
O técnico deixou claro que a interferência de Lopes no seu trabalho não será tão grande. ‘‘Não temos dois treinadores. Tem um coordenador e um treinador. Foi me dada a liberdade de convocar quem eu desejar’’, afirmou Leão, que assumiu ser vaidoso. Com a escolha de Leão, os ternos – uma das marcas da era Luxemburgo – vão continuar em moda na seleção.
Considerado azarão, o novo técnico também não escondia estar surpreso com a escolha. Ele chegou a dizer que achava que a sua oportunidade de comandar a seleção ‘‘já tinha passado’’. ‘‘Não esperava ser o treinador porque havia lido nos jornais que o escolhido sairia na terça-feira’’, disse Leão.
O substituto de Luxemburgo disse que ainda não se sentia à vontade no novo cargo. Logo no início da concorrida entrevista coletiva, o treinador disse: ‘‘Gostaria de dizer que treinar a seleção é uma etapa nova e nem sempre no primeiro dia estamos à vontade’’, afirmou Leão.
Protesto – ‘‘Ão, ão, ão, não queremos o Leão’’, ‘‘Lugar de leão é no circo’’ e ‘‘Fora Leão, seu lugar é na selva’’. Foi com esses slogans que um grupo de cerca de 50 torcedores se mostrou contrário à escolha da CBF.
Às 15h45, duas horas depois da nomeação oficial, começou a manifestação espontânea dos populares, em frente à sede da CBF. Alguns foram de casa especialmente para protestar contra a opção de Antônio Lopes. Outros se uniram aos manifestantes. O nome de Carlos Alberto Parreira gerou consenso entre os manifestantes, que gritaram o nome do técnico do Atlético-MG.
A chegada de Leão à sede da entidade, no centro do Rio, também foi tumultuada. A grande quantidade de jornalistas no local e a confusão provocada por eles fizeram muitos pensarem que se tratava de um assalto.

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