Rio, 15 (AE) - Após a euforia pela conquista do título de Campeão Mundial de Clubes pelo Corinthians, parte da torcida Gaviões da Fiel, que fretou 210 ônibus para o trajeto até o Rio, amargou o dissabor de dormir ao relento, sob escolta policial. Cerca de 600 torcedores só retornaram a São Paulo por volta das 11 horas de hoje, quase 12 horas depois de terminado o jogo, com transporte cedido pela Suderj, depois de os ônibus que os aguardavam terem sido apedrejados por torcedores do Vasco.
"Eram muitos ônibus, não podemos culpar ninguém", contemporizou Wellington Rocha, de 23 anos, o "Tonhão", vice-presidente da Gaviões. Com o humor revigorado pelo título, ele sequer reclamou por ter sido obrigado a dormir, com os companheiros de torcida, em frente ao portão 13 do Maracanã. "Os buzão foram levados para o distrito e a gente não teve alternativa", comentou.
Foram dez os ônibus apedrejados no estacionamento da Cidade Nova, ao lado da sede da Prefeitura do Rio, a cerca de um quilômetro do estádio.
Outros motoristas, com medo da reação violenta de torcedores do Vasco, também abandonaram os corinthianos na porta do Maracanã. Pegos de surpresa, sem dinheiro para alimentação ou hospedagem, eles esperaram por uma providência até o amanhecer, protegidos por 20 soldados do 6º BPM (Tijuca), que temiam um choque entre torcidas rivais.
Mesmo cansados, eles não se arrependeram que ter ido ao estádio assistir à vitória do Corinthians. "Cheguei aqui na sexta-feira de manhã e estou há dois dias sem tomar banho, mas valeu a pena", comemorou o torneiro mecânico Luís Alves, que integrava uma caravana de Jabaquara.
Enquanto esperavam por uma providência para retornar a São Paulo, os corinthianos faziam a festa, dando mais importância à rivalidade com o Palmeiras, que nem disputou o campeonato, do que com o Vasco. "Chora porco imundo, o timão é o campeão do mundo", gritavam. A Suderj fez um adiantamento de R$ 13 mil à torcida organizada, para o fretamento de 13 ônibus para a viagem de volta.
O torcedor do Vasco Edvaldo Tavares da Silva, de 51 anos
morreu de um ataque fulminante do coração depois da partida. Ele assistia o jogo em casa, em Inhaúma, na zona norte e começou a passar mal logo depois dos pênaltis. Foi socorrido por vizinhos e parentes, mas não resistiu ao infarto e morreu a caminho do posto médico.
TIROS - À 1 hora, policiais do Grupo Especial Tático Móvel, da Polícia Civil, detiveram, na Avenida Brasil, acesso à Via Dutra, 50 torcedores do Corinthians que estavam em um ônibus procedente de Osasco. Segundo denúncia de um policial à paisana, que passou ao lado do ônibus na avenida, foram disparados vários tiros do interior do veículo. O policial, identificado somente como Welington, avisou à patrulha, que interceptou o ônibus e encontrou, durante a revista, uma pistola, com apenas quatro projéteis no carregador, que tem capacidade para 14.
Os torcedores foram primeiro levados para a 22ª DP (Vila da Penha) e, de lá, à delegacia de Honório Gurgel (zona norte), central de flagrantes da região. Os policiais disseram que não havia motivo para os tiros. "Isso é loucura, é algazarra de torcida", comentou o inspetor Rafael Machado.
Anderson José Leite, de 22 anos, um dos passageiros do ônibus, disse, porém, que não houve disparo nenhum. Segundo ele, tijolos foram arremessados contra o ônibus na passagem pela Avenida Brasil e, depois de pararem o veículo, os policiais agrediram os passageiros. Todos os torcedores foram qualificados na delegacia e até o início da tarde ainda não haviam sido liberados.