Londres - A cena na área de entrevista da Excel Arena foi comovente. Enquanto os telões passavam a final da categoria dos médios, de cabeça baixa e com lágrimas nos olhos, Tiago Camilo já dava entrevistas tentando explicar os motivos que o deixaram de fora da decisão da medalha de ouro. Pior: pela primeira vez em três olimpíadas, o judoca brasileiro não subiu ao pódio. ''O judô está ficando feio, pois a preocupação maior dos atletas é travar o ataque do rival. Eu sempre luto em busca do ippon, mas a regra permite que esta forma de luta seja utilizada.''
Prata em Atenas/2004 e bronze em Pequim/2008, Tiago esteve muito perto de conquistar a medalha de ouro. Passou com certa facilidade sobre os três primeiros difíceis adversários: o ucraniano Roman Gontiuk,, o italiano Roberto Meloni (ambos com ippon) e pelo usbeque Dilshod Choriev. Mas na semifinal cometeu um erro e acabou derrotado pelo sul-coreano Dae-Nam Song, que viria a se sagrar campeão olímpico. Na busca pelo bronze, perdeu de novo, desta vez para o grego Ilias Iliadis, primeiro do ranking mundial.
''O Tiago errou ao tentar agarrar o quimono por cima, exatamente no local em que o coreano se sente melhor para aplicar o golpe'', analisou Ney Wilson, diretor técnico da Confederação Brasileira de Judô (CBJ). ''Como ele recebeu uma punição muito alta (wazari), ficou difícil se recuperar no combate, pois ele precisou se abrir e ficou aberto para receber os contra-ataques''. Fora da disputa pelo ouro, após a derrota para o coreano na semifinal, Tiago teve pouco tempo para o duelo com Iliadis. ''Ninguém gosta de perder. Eu menos ainda. Sabia que tinha de buscar concentração e motivação para ir atrás do bronze.''
Ney Wilson revelou que o atleta sentiu o revés diante do coreano ''Ele não teve tempo para se recuperar mentalmente para a disputa da medalha de bronze.'' Nesta quarta-feira, o judô nacional completou 20 anos do ouro de Rogério Sampaio, em Barcelona/1992. Se Tiago tivesse subido ao pódio seria o primeiro judoca a ganhar medalha em três olimpíadas (ganhou entre os leves e meio-médios), além de levar o time masculino a uma final, feito que não ocorre desde Sydney/2000. ''Minha carreira vai prosseguir. Não sei como será o futuro. Se o corpo aguentar e eu tiver motivação, estarei no Rio em 2016 para a minha quarta olimpíada'', completou o judoca.

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