Sem limites para correr atrás do sonho
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sábado, 16 de outubro de 2010
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
A corrida mudou a vida deles. Ao invés de verem as horas passarem pelos seus olhos sem ocupação alguma, eles treinam. Um deles chegou a abandonar o vício pelas drogas e hoje afirma: ''A corrida está no meu sangue''. Eles poderiam se superar se não fosse o ritmo desgastante da vida que levam correndo longas jornadas atrás dos caminhões de lixo da M&M Ambiental, onde trabalham. Sem incentivo financeiro algum, Paulo José da Silva, 25 anos, e Adriano Bastos, 28, levam o nome de Rolândia estampado nas camisetas que sobem com eles nos pódios de diversas cidades por onde passam conquistando títulos.
Orientados pelo técnico Ivar Benazi, o Tucano, os atletas levam um ritmo de treinos forte. São mais de uma hora durante o dia, além de outras quase oito horas noturnas ''correndo'' atrás do caminhão de lixo no trabalho de coleta em Londrina. Com o sonho de um dia poder abandonar o trabalho pesado e só se dedicarem aos treinos, os amigos ainda querem conquistar muitas medalhas, mas afirmam que a o maior desafio é vencer eles mesmos.
''As vezes alguns colegas comentam de outros atletas que estão indo muito bem, treinando pesado e tal. Eu não me importo, de verdade. Vejo que é bom para ele. Eu não estou treinando para superar ninguém. Eu treino para superar eu mesmo'', diz Bastos.
O atleta entra no trabalho em Londrina às 19h e encerra o expediente por volta das 3h da madrugada quando ainda pega o ônibus para ir pra sua casa em Rolândia. Após isso, consegue ir dormir por volta das 6 horas. ''Eu costumo acordar umas 13 horas mais ou menos para dar tempo de descansar e umas 15 horas já estou treinando'', comenta.
Os dois levam consigo um histórico considerável de conquistas. Adriano já disputou um Mundial de Cross Country, em 2007, em Mombaza, no Quênia, e tem ficado sempre entre os primeiros nas provas rústicas da região. Em Londrina, na Prova Pedestre do último domingo, Adriano ficou em 1º lugar fechando os cinco quilômetros da prova em 14h12. Paulo José, conhecido por ''Pókemon'' ficou em 3º, mas na última Maratona de Foz do Iguaçu, o atleta conseguiu subir no pódio em 5º lugar, fechando 42 quilômetros em 2h26.
''Claro que é bom ficar bem colocado e até ganhar dinheiro correndo, mas a gente corre porque gosta. Eu não me vejo mais sem correr'', comenta o atleta que conseguiu embolsar R$ 2 mil reais de prêmios em Foz. ''Precisava comprar móveis para minha casa e eu ia ter que parcelar. Com o prêmio consegui comprar tudo à vista'', diz. Os dois atletas participarão da Meia Maratona de Toledo que acontece no próximo dia 24. Na mesma prova em 2008, Adriano chegou a ficar em 4º lugar perdendo apenas para atletas quenianos. ''Dessa vez o Adriano deve conseguir ficar muito bem classificado'', finaliza Pókemon em apoio ao amigo.


