Sem incentivo, equipe de canoagem padece
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terça-feira, 27 de março de 2007
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
A equipe de canoagem Patrulha das Águas, de Londrina, que ganhou quatro títulos nacionais consecutivos, está se enfraquecendo a cada competição. Sem incentivos oficiais e esquecido pelos patrocinadores, o time perdeu três técnicos nos últimos dois anos e ficou sem o convênio com a Fundação de Esportes de Londrina (FEL). Sem perspectivas, um dos atletas, Gustavo Garcia, 18 anos, acabou disputando o último Campeonato Paranaense de Canoagem por Cascavel e faturou o título.
''É triste ver o atleta ir para outra cidade por falta de incentivo em Londrina. Isso que o Igapó é um dos melhores lagos do País para se treinar devido à densidade da água. Temos essa vantagem da natureza mas o muncípio não aproveita'', reclama Roberto Garcia, pai de Gustavo. Roberto diz que sugeriu ''várias vezes'' à FEL para disponibilizar caiaques para crianças carentes da periferia aprenderem o esporte, mas afirma nunca ter sido ouvido.
A equipe está sem técnico desde o final do ano passado, quando o ex-atleta e treinador Bruno Hendrigo Baltieri se mudou para São Paulo para fazer pós-graduação. Antes dele, já haviam desistido do comando da equipe Thiago Borges e Ruth Vieira.
Borges treinou os londrinenses em 2005, ano em que estava fazendo especialização em Educação Física na UEL. Terminado o curso, sem salário e nem incentivo para continuar na cidade, retornou à sua cidade, São Paulo, para trabalhar na raia olímpica da USP como funcionário da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa). Ruth Vieira o sucedeu por pouco tempo e depois dela veio Bruno Baltieri, que também teve que ir embora.
No momento, os garotos da equipe estão se virando sozinhos, pegando via e-mail um programa semanal de treinamentos repassado por Borges. O convênio com a FEL já é passado. ''Já briguei muito com o Dedé (Ariobaldo Frisselli, presidente da Fundação) pedindo apoio financeiro para as competições e cansei de reclamar. Agora o pessoal não tem mais vínculo com a Fundação'', frisou Roberto Garcia.
No próximo Brasileiro de Velocidade, dias 21 e 22 de abril, em Curitiba, os londrinenses competirão com recursos próprios. ''Estamos procurando treinar forte porque o nível no Brasileiro será alto, já que participarão canoístas que estão se preparando para o Pan do Rio'', disse Mateus El Haouli, 19 anos. Além dele e de Gustavo, seguem treinando diariamente no Igapó, Caetano Vasconcelos, 20, e Luís Eduardo Casagrande, 17. A equipe teve muitos abandonos desde 2005.
Haouli explicou que o time não apresentou projeto este ano para requerer verba da Lei de Incentivo por falta de condições para coordenar uma escolinha de iniciação, como gostaria a FEL. ''A Fundação sempre quis que a gente fizesse um trabalho social, mas não temos gente nem caiaques para isso. E a verba que receberíamos (R$ 10 mil) também não pode ser usada para pagar treinador'', lembrou.


