SEM ESTRUTURA - Clubes discutem modernização no futebol
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quinta-feira, 21 de outubro de 2004
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O futebol pentacampeão mundial não tem uma estrutura à altura de sua qualidade, isso é fato. Os clubes estão endividados, as categorias de base não são prioridade há anos e os melhores jogadores acabam sendo seduzidos facilmente pelo mercado internacional por cifras já não tão altas quanto há dez anos. Por isso mesmo, o Ministério do Esporte realizou ontem, em Curitiba, uma reunião com a Paraná Esportes, clubes e Federação Paranaense de Futebol (FPF) para discutir a modernização e o saneamento do esporte predileto dos brasileiros.
Desde maio deste ano, o governo Lula designou uma Comissão Especial do Ministério, liderada pelo assessor Nilton de Oliveira, para tratar dos assuntos do futebol. O grupo realizou um relatório pontuando as mudanças mais urgentes no futebol e apresentou as propostas na tarde de ontem. Participaram da reunião apenas representantes do Paraná Clube, Coritiba, Cianorte, o presidente da FPF, Onaireves Moura, e o presidente da Paraná Esportes, Ricardo Gomyde.
Oliveira destacou, em primeiro lugar, a proteção financeira aos times que investirem nas categorias. ''Temos que fazer alterações legais para garantir que o clube formador não tenha prejuízos. Como exemplo, podemos aumentar a indenização adequada ao investimento no atleta'', explicou. O objetivo é balancear um pouco os poderes dados aos jogadores com a Lei Pelé, muitas vezes explorada de forma agressiva pelos procuradores.
Outra proposta é a criação da ''Timemania'', uma loteria que poderia servir para zerar as dívidas fiscais dos clubes e recuperar o crédito com investidores nacionais e internacionais. ''Iríamos zerar as dívidas mas não seria uma anistia, serviria para a profissionalização dos clubes. Os clubes têm hoje R$ 800 milhões em dívidas e a loteria poderia render R$ 500 milhões por ano'', projetou Oliveira.
Em contrapartida, os times seriam obrigados a manter as dívidas em dia, sob pena de não participarem de nenhuma competição nacional; teriam que apresentar todas as contas, com a fiscalização de uma auditoria independente; e entrariam no programa governamental denominado ''Segundo Tempo'', de caráter social. Outro ponto a ser respeitado pelos clubes seria a correção da distorção para os jogadores de futebol na Lei Trabalhista. ''O direito de imagem não pode ser considerado pagamento e os atletas precisam ter férias, adicional noturno e por concentração também'', disse Oliveira. Agora as propostas serão enviadas para votação na Casa Civil.


