A situação no Londrina está preta, ou melhor, vermelha. Se o clube já não vivia um mar de rosas no campo financeiro com os R$ 50 mil mensais da Sercomtel, agora, já há quase três meses sem o patrocínio, o time luta para honrar seus compromissos e não fechar as portas.
No caixa, não há nada e as perspectivas de que a cor vermelha deixe de predominar nos cofres são praticamente nulas para este ano. Desta forma, o jeito é economizar.
O primeiro corte foi no projeto do Centro de Treinamentos. Anunciado como o grande divisor de águas na história recente do clube, ele teve que ser abortado por falta de dinheiro. Somente em aluguéis seriam gastos R$ 10 mil mensais.
O déficit estimado até dezembro de 2006 é de R$ 400 mil, segundo o Departamento Financeiro do Londrina. O mesmo valor que eles acreditavam que iriam receber da empresa telefônica. ''Estamos numa normalidade que sempre foi a tônica do Londrina. Sempre andou com as calças na mão'', afirmou o diretor financeiro do Tubarão, Danilo Testa.
Os salários do mês de maio estão atrasados. O parcelamento R$ 15 mil mensais na Justiça do Trabalho também não está em dia. ''Há um atraso, mas não é coisa de outro mundo'', confirmou.
A situação só não é pior porque o clube conseguiu levantar um pouco de dinheiro com o garoto Alan, 16 anos. Apesar de o coordenador de futebol do clube, Sidiclei Menezes, ter negado há alguns dias que 50% dos direitos federativos do atleta haviam sido negociados, ontem, Testa confirmou a transação. Segundo o diretor, um grupo de investidores comprou metade dos direitos do atacante. Especula-se que o grupo encabeçado pelo apresentador de tevê, Carlos Massa, o Ratinho, seja o comprador.
O dinheiro, porém, já acabou e a solução encontrada foi a de fazer um empréstimo. ''Através de um parceiro, estamos viabilizando um empréstimo em aberto para suprirmos as nossas necessidades, até que se feche uma parceria para o ano que vem'', adiantou.
Outra ação que será colocada em prática é uma nova campanha de mobilização da sociedade londrinense. Mais uma vez o clube tentará levantar apoio junto ao empresariado, que já demonstrou em outras promoções não querer saber do Londrina.
A Folha não conseguiu ouvir o presidente Peter Silva, que está na Alemanha acompanhando a Copa do Mundo e tentando fisgar algum parceiro. O presidente do Conselho Deliberativo, Fábio Theóphilo, outro que tem o poder de agir, também foi ver o Mundial.
Já Testa disse que a penúria tem data para terminar: novembro. De acordo com o diretor, uma parceria salvadora está apalavrada e deve ser concretizada em breve. ''Precisamos sobreviver de forma honrosa até o fim do ano. A parceira deve chegar entre outubro e novembro'', afirmou.
O modo de parceria seria aquele já manjado do torcedor, que sempre é ventilado, mas que nunca é concretizado. O possível parceiro bancaria o departamento de futebol do clube trazendo jogadores de ponta. ''Vamos montar um time que brigue pelo título Paranaense em 2007'', prometeu Testa.

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