Curitiba - A casa do Atlético-PR na Série B deste Campeonato Brasileiro será a quase 90 quilômetros de sua sede. Por uma determinação da CBF, o time paranaense, que foi rebaixado para a segunda divisão no ano passado, disputará as próximas partidas do campeonato como mandante em Paranaguá, no litoral paranaense.
O motivo, além da reforma do estádio atleticano para a Copa de 2014, é uma ''queda de braço'' entre times rivais, que impediram o Atlético de jogar em Curitiba, onde fica a maior parte de sua torcida.
Com a Arena da Baixada interditada desde dezembro para as obras da Copa, o Atlético ficou na dependência de os outros dois times da cidade, Coritiba e Paraná Clube, entrarem em acordo para cederem o estádio para o rival.
Nenhum deles, porém, diz ter condições de alugar o campo - numa troca de acusações que tem contornos de briga entre vizinhos. A falta de lugar para jogar levou a CBF a adiar o jogo contra o Ipatinga, marcado originalmente para ontem, para o dia 10 de julho.
O Atlético, presidido por Mario Celso Petraglia, publicou anúncio de página inteira nos jornais locais acusando os rivais de descumprirem combinados e de pedirem valores ''fora da realidade'' para alugar seus estádios.
Petraglia ainda acusou os clubes de terem ''inveja'' do ''grandioso'' projeto do Atlético para a Copa de 2014, e de serem ''movidos por ódios e revanchismos''.
O Coritiba, arquirrival do Atlético, diz se fundamentar em laudos sobre as condições do gramado para negar o Couto Pereira. A Folha apurou, porém, que a direção do clube teme depredação do estádio e conflitos entre torcedores - no início do ano, a torcida chegou a fazer um movimento pedindo que o clube não cedesse o estádio ao rival.
Notas oficiais do Coritiba também falam em ''não ceder às arrogantes pressões de pessoas acostumadas a imposições e autoritarismos'' - uma clara referência ao dirigente atleticano.
Já o Paraná Clube, na Série B do Brasileiro há cinco anos e em situação financeira mais complicada, até admite negociar (no início do ano, o clube já fez acordo com o Atlético para a Copa do Brasil e o Paranaense), mas reclama da falta de diálogo com Petraglia. ''Ele quer fazer as coisas na marra'', acusa o superintendente do Paraná Clube, Celso Bittencourt, que diz estar até hoje aguardando uma contraproposta oficial. O diretor também reclama que houve depredação do estádio paranista nos jogos da Copa do Brasil disputados pelo Atlético. ''É algo desleal para quem concedeu um estádio a eles'', diz Bittencourt.

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