Sem apoio, Brasil encara elite do beisebol
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sábado, 16 de fevereiro de 2013
Alessandro Lucchetti<BR>Agência Estado 
São Paulo - Os japoneses chegaram por último a Ibiúna (SP), depois dos italianos e dos árabes, mas logo formaram a maior colônia de imigrantes da cidade. Hoje, quem percorre a rodovia Bunjiro Nakao não consegue ignorar a presença nipônica: avista-se uma fábrica de Miojo, plantio de hortaliças e uma extensa propriedade da Yakult. Nela não se cultivam lactobacilos vivos, mas esperanças vivas.
No centro de treinamento de beisebol construído pela multinacional de capital japonês, a seleção brasileira se prepara para disputar pela primeira vez o World Baseball Classic, principal competição de seleções nacionais do esporte, a partir do dia 2 do mês que vem, no Japão.
A classificação inédita foi alcançada em novembro do ano passado, na Cidade do Panamá. O Brasil superou a Colômbia e depois passou pelo Panamá, em um sofrido e tenso 1 a 0. Os panamenhos têm história na modalidade. Na Copa do Mundo, competição retirada do calendário, já foram vice-campeões e conseguiram o terceiro lugar duas vezes.
O beisebol, excluído da programação dos Jogos Olímpicos - sua despedida foi nos Jogos de Pequim, em 2008 - é a enésima prioridade do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Ministério do Esporte de um país que teme cumprir campanha pífia na Olimpíada que sediará, em 2016.
Sem receber verba da Lei Piva, que destina ao esporte olímpico e paralímpico uma porcentagem do dinheiro arrecadado pelas loterias federais, a Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol vive à míngua. "Não temos dinheiro para nada", desabafou o vice-presidente da entidade, Estevão Sato. "O que temos são jogadores de famílias guerreiras, que enxergam neste esporte um caminho para melhorar de vida".
Graças a esse esforço, o Brasil, que ocupa a 20.ª colocação no ranking da IBAF (International Baseball Federation), entrou no Classic, que reúne 16 seleções. O Brasil caiu em um grupo difícil, o mesmo do Japão - campeão das duas edições anteriores do Classic -, Cuba (medalha de ouro em três das cinco edições dos Jogos Olímpicos que incluíram o esporte) e China.
Sempre que se pergunta a qualquer membro do time quais são as chances brasileiras, o indagado hesita por um segundo, pensa bem e salienta o nível do grupo. O Brasil tem altas chances de ficar em quarto e último lugar na chave. Mas o arremessador Thyago Vieira, de 20 anos, diz que a diferença em relação aos favoritos não o intimida. "Ninguém acreditava que iríamos nos classificar. Tudo o que importa agora é que vamos para cima".
Thyago é um dos "jogadores de famílias guerreiras" mencionados por Sato. Filho de uma empregada doméstica de Tatuí, ele ainda não conseguiu a ascensão social desejada. Tem contrato com o Seattle Mariners, time da Major League Baseball, mas está longe da equipe principal. As franquias da MLB despacham seus atletas mais crus para países com tradição no esporte. O tatuiense disputou a última edição da liga de verão venezuelana.
Assim como Thyago, mais 13 brasileiros têm contrato com equipes norte-americanas. Existem outras dezenas em times japonesas - o número exato é desconhecido pela confederação. O brasileiro que chegou mais longe é Yan Gomes, o único a disputar um jogo oficial da MLB, pelo Toronto Blue Jays. Justamente por estar querendo se firmar, é possível que ele prefira cumprir toda a pré-temporada, desfalcando assim o Brasil no Classic.
Nem por isso o Brasil vai se sentir desacreditado. Quem garante é Barry Larkin, o técnico da seleção brasileira. Membro do Hall da Fama da MLB, Larkin é considerado pelos jogadores um craque na arte de motivar atletas. "O beisebol brasileiro reúne a paixão dos latino-americanos e a disciplina oriental. Adoro treinar este time".


