Seleto articula retorno ao futebol profissional
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sábado, 03 de outubro de 2009
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A história do futebol paranaense está cheia de times que contagiaram torcedores, chegaram perto da glória de um título estadual, mas ficaram no ''quase'': União Bandeirante, Operário, Matsubara... O Seleto, de Paranaguá, faz parte desse grupo. O time, afastado de campeonatos profissionais desde a década de 1970, foi a equipe do Litoral que chegou mais perto de um título da Primeira Divisão do Campeonato Paranaense: em 1964, foi à decisão do torneio, mas acabou perdendo a taça para o Grêmio Maringá.
Após passar por uma grande crise financeira, o Seleto ensaia, aos poucos, uma volta ao futebol profissional. Recentemente, o time iniciou a disputa da Copa Litoral, tradicional torneio de futebol amador. O Seleto representa a cidade de Paranaguá no campeonato.
O presidente do clube, Antonio Carlos Barbosa, afirma que o sucesso do time na Copa Litoral pode abrir perspectiva para uma volta ao Campeonato Paranaense profissional, a princípio na Terceira Divisão. ''Atualmente, estamos em primeiro lugar na Copa Litoral. Depois do campeonato, vamos criar uma comissão paralela e, dependendo do nosso desempenho, vamos decidir se vamos participar da Terceira Divisão'', explica Barbosa.
Ele comenta o assunto com cautela, até porque não quer criar expectativas exageradas. ''O Seleto está ressurgindo devagarzinho. Temos em Paranaguá uma base de uns 8 mil, 9 mil torcedores'', diz o presidente do Seleto. Desde que o clube parnanguara deixou de disputar o Campeonato Paranaense profissional, em 1971, surgiram algumas esperanças de retorno. Uma delas, há poucos anos, foi uma possibilidade de fusão ou parceria com o então J. Malucelli, atual Corinthians Paranaense, mas as conversas não foram adiante.
Voltar ao futebol profissional parece um passo muito grande para uma instituição que apenas recentemente conseguiu respirar em meio a problemas financeiros. De acordo com Simões dos Santos Passos, primeiro tesoureiro do Seleto e ex-presidente do clube, a desistência e a inadimplência de muitos sócios, além de vários débitos (resultantes de ações trabalhistas e outras pendências, como o IPTU da sede administrativa), deixaram a agremiação parnanguara com dívidas que somavam aproximadamente R$ 600 mil.
Passos relata que a sede administrativa do Seleto quase foi a leilão duas vezes, mas os dirigentes conseguiram condicionar o pagamento das dívidas à venda de outro imóvel do clube, onde ficava grande parte da estrutura do setor social. ''Esse imóvel foi vendido há uns seis meses, por cerca de R$ 1,6 milhão. Depois de pagar as dívidas, queremos investir o dinheiro que sobrar na parte social. Vamos fazer campos de grama sintética, lojas, um salão de eventos para 4 mil pessoas, entre outras melhorias'', explica o tesoureiro.
Barbosa garante que esse investimento na parte social é ''sagrado'' e que por enquanto não serão direcionados recursos para o plano de reativar o futebol profissional. ''Se formos disputar a Terceira Divisão, vamos buscar parcerias'', diz o presidente, que aponta que já foram estabelecidas conversas com outros clubes.
O retorno ao futebol profissional já em 2010 não é unanimidade dentro do Seleto. ''A volta é um sonho de todo seletense, mas a realidade é outra. Nada nos impede, entretanto, de tentar essa possibilidade em um futuro distante'', afirma Simões Passos.
O colaborador Emar Chaves, coordenador do time que está disputando a Copa Litoral, é outro que recomenda cautela. ''O Seleto teria que se estruturar mais, ter alguém entendido em futebol profissional. Seria bom ter um time na Terceira Divisão, pois de repente revelando jogadores o clube poderia ter a receita de alguma negociação. Mas até lá é um longo caminho'', argumenta.


