Rio, 25 (AE) - A seletiva do Campeonato Carioca organizada pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) é o mais recente exemplo da desmoralização do futebol carioca e recebeu críticas até da Fifa, como revelou o diretor da Confederação Sul-Americana de Futebol, Hildo Nejar. O regulamento, confuso e mal redigido, foi feito para privilegiar dois clubes: Americano e Bangu. Eles iniciaram a disputa sem a menor possibilidade de eliminação.
"Os dois clubes não têm como deixar de se classificar", admitiu o diretor do Departamento Técnico da Ferj, Nilson Mattos. Ele não soube explicar por que, então, ambos estão incluídos na seletiva. A diretoria da federação quis evitar o quanto pôde a discussão sobre a fórmula da competição, criada por uma comissão comandada por Rubens Lopes, dirigente do Bangu e provável sucessor de seu amigo Eduardo Viana na presidência da federação.
Viana é conhecido por sua dedicação ao Americano, time da cidade de Campos, no norte fluminense, e de pouca tradição no futebol do Rio. A leitura atenta do regulamento permite entender que Bangu e Americano, mesmo que terminassem em último lugar em seus grupos, estariam classificados para integrar o Carioca.
A seletiva reúne dez clubes, divididos em dois grupos. No A estão América, Madureira, Bangu, Olaria e Itaperuna. No B, Americano, Volta Redonda, Serrano, Cabo Frio e Friburguense. Quatro clubes de cada grupo adquirem o direito de participar do Carioca, juntando-se a Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense - o campeonato começa em 11 de março.
A questão é que os resultados obtidos em campo não são suficientes para garantir a vaga dos clubes no Carioca. O Bangu, por exemplo, na última posição do grupo A, só tem mais uma partida a ser disputada e não tem como deixar a lanterna. Pela lógica, estaria eliminado. Mas não é bem assim.
Para entender - Os pontos corridos, conquistados em campo, vão servir ao fim da seletiva apenas para determinar a classificação das equipes.
Depois, eles serão desconsiderados. Por exemplo, se o Madureira terminar em primeiro lugar no grupo A, vai ter direito a 10 pontos. O segundo colocado ganhará 8 pontos; o terceiro, 6; o quarto, 4; e o quinto e último, 2. Essa regra vale também para o outro grupo.
A esses pontos, somam-se outros, estabelecidos no regulamento como pontos-extras, referentes à participação dos clubes nos últimos três Cariocas. Por esse ranking, Bangu e Americano ganham 8 pontos cada, Friburguense e Madureira, 7, Olaria e Volta Redonda, 4, América, 3, Itaperuna, 2, e Serrano e Cabo Frio, 1 ponto.
A partir daí, faz-se a soma final para a definição dos classificados para o Carioca. Na hipótese de a liderança do Madureira ser confirmada pelos pontos obtidos em campo, ele vai totalizar 17 pontos: 10 por ser o primeiro colocado do grupo e mais 7, como bônus.
Por isso, o Bangu, mesmo como último do grupo A, vai ter direito a 10 pontos: 2 pela quinta posição na tabela e mais 8 de bônus. No fim de tudo, ele não poderá ser ultrapassado por todos os clubes de seu grupo, garantindo-se assim no Carioca. Estudando-se todas as possibilidades matemáticas possíveis, Bangu e Americano jamais ficariam de fora do campeonato.
O único jogo deste domingo será em Nilópolis, entre América e Itaperuna.

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