Selecionáveis da Sub-15 sonham com Mundial
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sexta-feira, 29 de julho de 2005
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
A Copa Brasil Sub-15, que termina amanhã, no Estádio VGD, trouxe a Londrina nos últimos dez dias alguns garotos que poderão fazer história no futebol brasileiro. A competição tem revelado craques para as seleções brasileiras de base, o que alavanca rapidamente as suas carreiras. A edição deste ano resultou em 14 convocações para a seleção brasileira da categoria, que disputará em outubro o Sul-Americano da Bolívia. Antes disso, entre os dias 1º e 14 de agosto, os garotos terão a primeira fase de treinamentos no CT da CBF, em Teresópolis (RJ).
Eles foram observados pelo técnico da seleção brasileira Sub-15, Nelson da Cunha Rodrigues, que esteve em Londrina no final da semana passada e divulgou a convocação na última quinta-feira. Entre os felizardos estão três do Atlético-PR, que foi campeão da Copinha no ano passado: o zagueiro Carlos Augusto, o lateral-esquerdo Bruno e o meia Fernando. Os três têm em comum aquele mesmo sonho de um dia vestir a camisa da seleção principal, ''disputando uma Copa do Mundo'', mas também guardam histórias idênticas de sofrimento e pobreza na infância. Os três foram criados apenas pelas mães e dois deles sequer conhecem os pais.
Fernando, 14 anos, capitão do Atlético e um dos melhores em campo no confronto contra o Grêmio-RS, pelas quartas-de-final do torneio, ontem, no Estádio José Garbelini, em Cambé, é o único nascido no Paraná. Natural de Nova Londrina (110 km ao norte de Paranavaí), foi convocado pela segunda vez para a seleção Sub-15. A primeira foi em janeiro, quando disputou a Copa Internacional do Mediterrâneo (que reuniu clubes e seleções), na Espanha o Brasil perdeu a final para o Barcelona. Fernando foi descoberto na escolinha de futebol de Itaúna do Sul (região Noroeste) pelo ex-olheiro e ex-supervisor do PSTC, Aliomar Mansano, o Ticão, que hoje realiza o mesmo trabalho no rubro-negro curitibano.
O garoto chegou ao Atlético-PR há um ano e deixou para trás a vida na roça que levava com a mãe e os dois irmãos mais novos. ''Sinto muita saudade, mas o sacrifício vale a pena. Um dia vou poder ajudar a minha mãe a ter uma vida mais digna. Eles ainda passam muita necessidade lá em Nova Londrina'', disse Fernando, com discurso de adulto. ''O negócio é trabalhar sempre para um dia atingir o meu sonho, que é ser um profissional reconhecido'', completou.


