Seleção une velhos rivais
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segunda-feira, 06 de setembro de 1999
Por Anderson Couto 
Porto Alegre, 07 (AE) - Depois de quase cinco anos, os gaúchos, eufóricos, voltaram a receber um jogo da seleção - em dezembro de 1994, o Brasil venceu a Iugoslávia por 2 a 0, no Olímpico. Hoje à tarde, no Beira-Rio, torcedores de Grêmio e Internacional procuraram amenizar as rivalidades regionais e, lado a lado, nas arquibancadas, balançaram bandeiras amarelas e gritaram o nome do País. Nem pareciam velhos inimigos.
A tietagem em Porto Alegre começou por volta das 13 horas, na porta do Hotel Plaza São Rafael, onde a seleção estava hospedada. Os seguranças da equipe tiveram de contar com o reforço de 30 policiais para que os atletas chegassem ao ônibus da delegação. Durante o caminho ao estádio, a equipe recebeu diversas manifestações de carinho. Por 20 minutos, as ruas do centro da cidade ficaram congestionadas.
Nas calçadas, torcedores com a camisa da seleção acenavam para seus ídolos. Algumas pessoas, menos interessadas por futebol, olhavam desconfiadas, alheias à tanta bagunça. Nas janelas dos prédios muitas bandeiras eram asteadas e papel picados, atirados sobre o ônibus. Na entrada do Beira-Rio, o movimento de torcedores foi intenso.
Só não havia filas nos portões de acesso às cadeiras superiores do estádio. Os policiais, contudo, não registraram casos de violência. Uma hora antes do início do jogo, a maior parte dos mais de 70 mil torcedores já estava acomododada nas arquibancadas. Uma entrada tranquila.
Apesar do clima de festa, um lustre torcedor, acompanhado pela mulher e duas filhas, acabou sendo barrado pelos segurança do estádio: o ex-jogador Batista, campeão brasileiro pelo Internacional em 1975, que tinha uma carteira preferencial de acesso à Tribuna de Honra. Os seguranças alegaram que a carteira era válida somente para partidas do Internacional, não da seleção.
Batista, com os olhos cheios de lagrimas, tentou comprar ingressos de cambistas para não deixar as filhas, vestidas com camisas da seleção cheia de autógrafos de jogadores, decepcionadas. Não teve sucesso. "Contribui tanto pela história do clube e é isso que eu recebo em troca", lamentou o ex-jogador. Segundo um conselheiro do Inter, Batista foi barrado, pois mostrou que não tinha sangue colorado ao trocar seu antigo time pelo Grêmio, o eterno rival. Muitos torcedores, sem ingresso, também voltaram para casa mais cedo.


