Um treino impróprio para menores de 18 anos. Assim pode-se definir o coletivo de ontem pela manhã realizado pela Seleção Brasileira, na Granja Comary, em Teresópolis. O técnico Luiz Felipe Scolari não se conteve. Diante do excesso de zelo do time principal, Scolari, aos palavrões, exigiu mais virilidade dos atletas. Isso causou constrangimento entre os que ''não aprovam'' os termos ofensivos e aos contrários à ''estratégia'' do treinador.

''Às vezes, ele exagerava'', comentou o atacante Rivaldo. ''É normal que ele cobre; mas não com tantos gritos assim'', disse o lateral Roberto Carlos. Scolari deixou claro que vai promover o antijogo para derrotar a Argentina, quarta-feira, em Buenos Aires. ''O time vermelho (os titulares) só fez duas faltas. Na partida, o adversário vai fazer 300 faltas e nós, não vamos fazer nenhuma?'', indagou, durante o treino.

A ordem explícita para esquecer a bola e visar aos argentinos causou mal-estar na Granja. O meia Mauro Silva preferiu ressaltar que o time vai adotar uma ''marcação mais forte'' sobre os rivais. Com alguma dificuldade, o lateral Cafu tentou explicar a determinação de Scolari. ''Temos de fazer as faltas, não que sejam violentas.''

Cafu explicou que no treino os jogadores evitavam as divididas ou os lances mais ríspidos para não machucar os companheiros. Mas hesitou em responder se o futebol brasileiro estaria formalizando a partir de hoje o fim de um longo período de ''romantismo'', em que as faltas eram recursos de quem enfrentava o Brasil.

''É difícil saber se mudou ou não.'' Cafu estava mesmo disposto a não alimentar polêmicas. E fez um estranho comentário sobre a atitude de Scolari. ''Xingamentos são um incentivo, não nos sentimos ofendidos.'' Depois de admitir o exagero do técnico, Rivaldo também tentou contemporizar e seguiu a linha de raciocínio de Cafu. ''O treinador tem todo o direito de xingar os jogadores, xingar na boa.''

Um enxame de abelhas localizado em placas publicitárias da Granja obrigou a transferência do treino para um campo de menor dimensões. Os titulares tiveram atuação apática e levaram um show dos reservas, que chegaram a dominar a partida por 3 a 0, com dois gols de Euller e outro de Belletti, em passe do atacante do Vasco, o melhor do treino. Depois, Marcelinho Paraíba, Juninho Pernambucano e Rivaldo marcaram para selar o empate.

A verdade é que Scolari deu mais tempo na segunda parte, a fim de que o placar terminasse igual. Com Marcelinho no lugar de Leonardo, a partir do intervalo, o time ganhou em rapidez. O mesmo ocorreu quando Juninho Pernambucano entrou na equipe titular, na vaga de Vampeta.

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