Seleção tem segurança rígida em Foz
Valmir Denardin
Um rigoroso esquema de segurança está cercando a permanência da Seleção Brasileira em Foz do Iguaçu, que ontem iniciou seus treinamentos para a Copa América. Cerca de 800 homens de forças públicas (incluindo as Polícias Civil, Militar e Federal e a Guarda Municipal) deverão atuar diretamente na cidade durante o período do torneio, que será realizado entre 29 de junho e 18 de julho, no Paraguai. Isso sem contar os seguranças de empresas privadas contratadas para auxiliar no trabalho.
A região da Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina) é considerada uma das mais vulneráveis do mundo em termos de segurança. Há suspeitas - nunca comprovadas - de que células de grupos radicais islâmicos atuem na região. Mesmo negando que haja a preocupação com supostos atentados terroristas, o tenente-coronel Renato Ribeiro Peres, comandante do 14º Batalhão da Polícia Militar (BPM), sediado em Foz do Iguaçu, admite que a fronteira é uma área problemática.
Uma situação negativa envolvendo a Seleção teria repercussão em todo o mundo, disse Peres em entrevista à Folha. É preciso imaginar o pior e prevenir o corriqueiro, completou o tenente-coronel, que comanda a maior força pública de segurança envolvida no evento. São 200 homens, cerca de 60 deles escalados para acompanhar diretamente a Seleção. A partir do dia 23, a PM de Foz vai receber mais 320 reforços, vindos de outras regiões do Estado.
Além da segurança pública, empresas privadas estão envolvidas na proteção da Seleção em Foz do Iguaçu. No Hotel Bourbon, onde a equipe está hospedada, a empresa Security, contratada pelo estabelecimento, mantém 70 homens em um esquema especial.
Acostumado a acompanhar a Seleção em competições oficiais desde 1989, o radialista Wellington Campos, da Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte (MG), se surpreendeu com os números e o rigor da segurança. Não vi isso nem nas Copas da França e dos Estados Unidos, contou Campos, que já acompanhou outras duas edições da Copa América. O radialista nunca tinha visto, por exemplo, policiais militares, armados e com cães, cercarem o gramado durante um treino, como ocorreu ontem à tarde.
Sob rigorosa escolta e atrapalhada por uma chuva constante, a Seleção fez ontem seus primeiros preparativos em Foz do Iguaçu. Pela manhã, o técnico Wanderley Luxembrugo comandou treino de uma hora no Estádio do ABC, que foi reformado para receber a equipe.
À tarde, devido à chuva, o treinador preferiu poupar o gramado do estádio - que foi trocado pela CBF - e optou pelo campo do Flamengo Esporte Clube, um time amador da cidade que cedeu suas instalações como opção ao estádio. Os jogadores fizeram treinamentos físicos e táticos entre as 15h45 e as 17 horas, sob uma chuva fina.
Ronaldinho, Flávio Conçeição e Cafu, que se recuperam de contusão, treinaram com os demais jogadores. Pela manhã, Ronaldinho foi o mais poupado. Apenas correu em volta do campo e fez alongamentos. Mas, à tarde, ele se integrou ao restante da equipe nos treinamentos com bola.Esquema é considerado superior aos de Copa do Mundo; fronteira é apontada como região propícia para atentados
Ney de SouzaAtenção totalSeleção Brasileira treina no campo do clube Flamengo, em Foz do Iguaçu, ontem à tarde. PMs com cães fazem a segurança dos jogadores e comissão técnica





