Seleção tem rota mais fácil até a decisão
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sexta-feira, 25 de junho de 2010
Folhapress 
Durban - O primeiro lugar do Grupo G deu ao Brasil um caminho teoricamente mais fácil até a final da Copa do Mundo. A chave brasileira prevê partidas contra alguns rivais de pouca tradição até as semifinais e o cruzamento com as campeãs mundiais Argentina, Alemanha ou Inglaterra somente na decisão.
Além de enfrentar o Chile nas oitavas, na próxima segunda-feira, em Johannesburgo, os brasileiros teriam seu confronto mais difícil antes da final nas quartas, contra a Holanda.
Historicamente, porém, os europeus têm retrospecto negativo contra o Brasil em Copas. Os holandeses bateram os brasileiros em 1974, mas caíram nos dois últimos confrontos. Em 1994, nas quartas, após um 3 a 2, e em 1998, nas semifinais, foram derrotados nos pênaltis.
Se chegarem até as semifinais, os brasileiros enfrentarão Uruguai, EUA, Gana ou Coreia do Sul. Somente o primeiro, bicampeão, tem tradição em Copas do Mundo.
O caminho brasileiro, porém, não empolga o técnico Dunga. Na visão dele, equipes tradicionais já não fazem mais diferença no Mundial. ''A gente brinca que o futebol é uma caixinha de surpresas e hoje não tem surpresa. Os melhores estão aqui, o futebol está globalizado'', afirmou ele, ao comentar as eliminações de França e Itália, a atual campeã mundial, ainda na primeira fase.
''Nós, que vivemos no futebol, temos que deixar de lado esse negócio de tradição. Já foi a época em que o time olhava para o lado, via o time de tradição e corria. Hoje todo treinador vai fazer curso fora, na Europa, tem os mesmos treinamentos e as mesmas informações. Os times de tradição têm que abrir os olhos'', prega Dunga.
Segundo o treinador brasileiro, o Mundial sul-africano se caracteriza pela ''organização tática'' das equipes. Por essa razão, avalia Dunga, os times têm tido pouco espaço para trabalhar a bola e construir jogadas. ''Todas as equipes, quando estão sem a bola, voltam para marcar. A Nova Zelândia não é tradicional, mas conseguiu três empates. Não perdeu, está de parabéns. A gente gosta de falar do passado, mas não era assim também. Não tinha muitos gols'', afirmou o treinador.
Dunga tem repetido que, nesta Copa, se aparecer uma chance de gol, ela deve ser aproveitada. ''Porque não haverá muitas.''
Queda de produção
O final da primeira fase da Copa do Mundo mostrou que é balela o discurso do técnico Dunga de que a seleção tem 23 titulares na África do Sul. Nos três jogos disputados, o treinador pouco pôde contar com os reservas e, sempre que eles entraram, o time caiu de produção.
Essa situação contradiz o desempenho com os reservas antes do Mundial. Em 29 jogos - eliminatórias, Copa das Confederações e Copa América -, o Brasil marcou 25 gols e sofreu apenas dois após o time ser mexido, o que dá um saldo de 23.
Ontem, em Durban, a seleção teve o seu exemplo mais claro de que o banco não está funcionando como antes. Com três reservas em campo (Júlio Baptista, Daniel Alves e Nilmar), a equipe desperdiçou a oportunidade de fechar a primeira fase com 100% de aproveitamento.
Sem Kaká - suspenso -, Elano e Robinho - poupados por lesões -, a seleção ficou apenas no 0 a 0 com Portugal. ''O jogo foi muito truncado, não tivemos espaços, mas o importante é que conseguimos a classificação em primeiro lugar'', disse o lateral Daniel Alves, que ontem atuou no meio-campo.
Ele foi um dos que decepcionaram. Não conseguiu dar criatividade ao time e expôs o setor defensivo direito pela dificuldade em voltar para marcar.Os reservas Júlio Baptista e Nilmar também não corresponderam.


