Seleção tem passagem tranquila pela alfândega
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terça-feira, 14 de julho de 1998
Agência Estado 
O desembarque dos jogadores da Seleção Brasileira ontem, em Brasília, foi tranquilo comparado ao de quatro anos atrás, quando a delegação que acabara de conquistar o tetracampeonato nos Estados Unidos não permitiu que sua bagagem fosse inspecionada pelas autoridades alfandegárias. O incidente resultou no pedido de demissão do então secretário da Receita Federal, Osíris Lopes Filho. Os jogadores, seus familiares, dirigentes esportivos e jornalistas desembarcaram às 7h30 da manhã, trazendo na bagagem poucos produtos além de seus bens pessoais.
Ao todo, a delegação de 269 pessoas desembolsou cerca de R$ 15 mil para pagar o Imposto de Importação sobre as mercadorias que excederam a cota individual de US$ 500, segundo autoridades que participaram da recepção aos passageiros. Além de perfumes, os produtos que mais se destacavam eram computadores de qualidade duvidosa, na avaliação dessas mesmas autoridades.
Os jogadores não reclamaram da cobrança, segundo o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, que foi fiscalizar a inspeção pessoalmente. Tudo se passou com absoluta normalidade, afirmou Maciel, garantindo que os passageiros foram tratados como turistas normais.
Pouco mais de um terço da delegação foi sorteada aleatoriamente para a vistoria da bagagem. Cerca de um quarto dos passageiros ultrapassou o limite de importação e teve que recolher imposto no caixa do Banco do Brasil deslocado para o setor de bagagens para facilitar a operação.
O único deslise foi a demora no desembaraço das bagagens dos jogadores. Contrariando recomendações das autoridades brasileiras, as malas dos integrantes da delegação foram misturadas com as dos demais passageiros, prolongando o desembaraço por mais de duas horas. Enquanto esperavam, os jogadores eram assediados por funcionários da Infraero, das empresas que prestam serviços ao Aeroporto Internacional de Brasília e seus familiares.
O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, que recepcionou os jogadores, usou seu prestígio para conduzir parentes de seus assessores à sala reservada à delegação, enquanto torcedores menos privilegiados eram impedidos de espiar seus ídolos pelas frestas das portas. Ao lado deles, o garoto Marcelo, de 10 anos, filho do agente da Polícia Federal Hercílio de Aquino, exibia orgulhoso a camisa autografada por todos os jogadores da Seleção. Seu irmão Lucas, de sete anos, também exibia sua camisa número nove cheia de assinaturas, mas com um certo desapontamento: Eu não tenho o Ronaldinho, não.


