Seleção só viaja para Bogotá na véspera
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quinta-feira, 09 de março de 2000
Por Silvio Barsetti 
Rio, 10 (AE) - A seleção brasileira só vai viajar para Bogotá no dia 27, na véspera do jogo com a Colômbia, o da estréia das duas equipes nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002. A medida foi adotada por precaução, após a análise de relatório feito pelo coordenador-administrativo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), coronel Mauro Félix, sobre as condições de segurança da delegação na capital da Colômbia. De acordo com o relatório, de conteúdo sigiloso, a seleção deveria ficar o mínimo de tempo possível em Bogotá.
Félix esteve em fevereiro na Colômbia para visitar os locais disponíveis à seleção. Embora tente minimizar a questão, a comissão técnica teme a hostilidade dos colombianos - muitos ainda estão inconformados com a goleada de 9 a 0, imposta pela seleção pré-olímpica do Brasil à Colômbia, em janeiro, durante torneio seletivo para a Olimpíada de Sydney. O time viaja em vôo fretado e volta para o Brasil logo depois da partida. O hotel que vai hospedar a seleção não foi divulgado por motivo de segurança.
O técnico Wanderley Luxemburgo afirmou hoje que a altitude de Bogotá, de 2.700 metros, não assusta a equipe. "Em La Paz, na Bolívia, com 3.600 metros acima do mar, é que as coisas se complicam", declarou. Ele definiu que a seleção vai se apresentar na noite do dia 22, em Teresópolis, na região serrana do Rio, onde treina até o dia 26. "Estão criando um fantasma com relação à altitude de Bogotá; nosso adversário não vai ser o clima, mas sim o excelente time da Colômbia." Luxemburgo anuncia os 22 convocados para o jogo com a Colômbia na terça-feira, no Rio. "Agora não vai dar mais para liberar jogador a pedido de clube", disse. O lateral Cafu, machucado, seria contactado hoje mesmo, por telefone, por Luxemburgo ou seu auxiliar Candinho, para que pudessse dar uma idéia do tempo que levará para sua recuperação.
ACUSAÇÃO - O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, acusou hoje Pelé de estar tentando atrapalhar a candidatura do Brasil à país-sede da Copa do Mundo de 2006. "Se o Brasil não for o escolhido, ele terá grande participação nisso", disse Teixeira. O dirigente contou que teve dificuldades de explicar aos integrantes da Confederação de Futebol das Américas do Norte e Central e do Caribe que o caderno de encargos entregue pela CBF à Fifa estava correto.
De acordo com Teixeira, Pelé teria dito a esses dirigentes que a CBF mentira no caderno de encargos ao mencionar os estádios e as condições financeiras e de segurança do País para organizar o Mundial. "Ele tem atrapalhado muito o noso trabalho; já que não quer ajudar, deveria ficar fora do processo.
Teixeira disse ainda que a cota recebida pelo Brasil para o amistoso com a Tailândia, em fevereiro, foi de US$ 500 mil, e não de US$ 300 mil, conforme informou um diretor da CBF, que pediu sigilo. O presidente da CBF confirmou, porém, que o amistoso foi programado com a intenção de conquistar mais um voto, o do representante da Tailândia, para a eleição, em 5 ou 6 de julho, na Fifa, que apontará o país-sede do Mundial de 2006.


