Seleção será trunfo da CBF para sediar Copa
Rio, 04 (AE) - O Brasil terá cinco meses para elaborar o projeto de candidatura à sede da Copa do Mundo de 2006. O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, voltou da Suíça com o caderno de encargos da Fifa para a organização da competição e está otimista quanto às chances de o País vencer a disputa contra os principais adversários - Inglaterra, Alemanha e áfrica do Sul.
Dos 23 votos do comitê executivo da Fifa, que decidirão, em março de 2000, o país que sediará a Copa, Teixeira já conta com seis: três da América do Sul e três da Cocacaf (América do Norte, Central e Caribe), que, historicamente, apóiam o continente. Na sua opinião, os oito votos da Europa devem ficar divididos entre Alemanha e Inglaterra e os quatro da áfrica devem ir para a áfrica do Sul. Quatro votos da ásia e um da Oceania podem decidir a eleição, que tem ainda um 24º voto, de minerva, do presidente Joseph Blatter. O pleito é em dois turnos
e para o segundo, classificam-se as duas candidaturas mais votadas.
Apesar de ter rompido com seu maior aliado político, o ex-presidente da Fifa, João Havelange, em razão de uma disputa na Justiça por bens e pensão alimentícia com a filha deste, Lúcia, Teixeira acredita que o Brasil tem apoio dos dirigentes internacionais. "O maior trunfo é o prestígio da nossa seleção, que há seis anos lidera o ranking", disse.
"O Brasil é o segundo time de todo o mundo." Outra vantagem, segundo Teixeira, é o fato de o País ter sediado a Copa pela última vez em 1950, enquanto Inglaterra e Alemanha abrigaram a competição em 1966 e 1974. O presidente da CBF não crê que o voto dos dirigentes possa ser comprado, como aconteceu com os delegados do Comitê Olímpico Internacional ao escolherem Salt Lake City como Olimpíada de Inverno em 2002. "Será uma decisão técnica", disse.
Até a decisão final, o Brasil tem um longo caminho a percorrer. Em 30 de abril, a CBF terá de reconfirmar a candidatura por escrito e até 31 julho, responder às perguntas do caderno de encargos, que impõe uma série de exigências quanto a investimentos e infra-estrutura dos estádios. Uma comissão especial da Fifa analisará as respostas dos países candidatos e enviará missões de inspeção. Em fevereiro de 2000, a comissão entrega relatório ao comitê executivo.
Segundo Teixeira, o Brasil está mais preparado para organizar uma Copa do que uma Olimpíada, projeto em que fracassou há dois anos e meio, quando o Rio de Janeiro se candidatou. Para ele, os estádios do Sudeste, Nordeste, Sul e Centro-Oeste necessitam de poucas reformas para se adequar ao padrão sugerido pela União Européia de Futebol (Uefa) e acatado pela Fifa. Os país também tem uma boa rede hoteleira.
A CBF não fez uma estimativa de gastos, mas já pensa em buscar recursos com o Governo Federal. Teixeira quer uma audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro de Esportes e Cultura Rafael Grecca. Em razão da crise econômica, o Governo corta despesas, mas a CBF precisa ter o apoio oficial, por escrito, para que a Fifa aceite a candidatura.
Teixeira não vê problemas em pleitear a Copa em meio a uma recessão econômica. "O Mundial só será em 2006, e os gastos para a competição, na realidade, são investimentos", afirmou. Ele lembrou que o México realizou a Copa de 86 logo após um terremoto. Teixeira buscará apoio da iniciativa privada para abater custos, citando exemplo de acordos com bancos e companhias aéreas.





