Belo Horizonte - O empate sem gols com a Argentina e a atuação discreta da seleção foram reflexos da pressão que o Brasil vem sentindo nos últimos dias. As derrotas para Venezuela e Paraguai fizeram com que a seleção entrasse tensa no jogo de quarta-feira, no Mineirão. E quando os resultados anteriores já são desfavoráveis, a tendência é que os jogadores sintam mais o clima ruim que ronda o time. A situação não deve ser muito diferente nas próximas partidas. A pressão é cada vez maior.
Após o empate e as vaias da torcida, alguns jogadores confirmaram que a atuação da equipe poderia ter sido melhor caso a campanha brasileira nas Eliminatórias fosse mais positiva. ''Todos rendem mais quando estão tranquilos'', contou o zagueiro Juan. ''Mas temos de saber jogar desse jeito (com crise) também.''
Os atletas se dividiram na hora de opinar sobre a atitude da torcida, que pediu a saída de Dunga, vaiou a equipe e, no fim, aplaudiu o argentino Messi ao ser substituído. ''São 50 mil torcedores vaiando a gente e depois aplaudindo o Messi. Estou frustrado'', disse o lateral Gilberto. ''Ficamos chateados com a torcida. Precisamos do apoio deles'', completou Juan.
Mineiro e Gilberto Silva, ao contrário, concordam que é difícil receber apoio da torcida quando o time não rende em campo. ''A torcida tem todo o direito de se manifestar'', declarou Mineiro. ''Agora é o momento em que o povo precisa dar carinho à seleção'', disse Gilberto. ''Mas ainda não é momento de desespero.''
Corte
Para o técnico Dunga, não será muito animador ''mudar de ares'' e pensar na seleção sub-23, que faz um amistoso preparatório para a Olimpíada de Pequim no domingo, em Volta Redonda, contra uma seleção formada por reservas dos grandes clubes cariocas e jogadores dos times pequenos do Rio. O problema é que ele ficou sem o meia Anderson, do Manchester United, que sofreu um entorse no joelho direito no primeiro tempo do jogo contra a Argentina.
Anderson foi submetido a uma ressonância magnética ontem, em Belo Horizonte, e foi constatado apenas um edema. Não há necessidade de cirurgia, mas o jogador não terá condições de atuar no domingo, por isso foi cortado pela CBF.
Para variar, Dunga terá muito pouco tempo para trabalhar com o time olímpico. Os jogadores se apresentam hoje à noite, no Rio, e seguem para Volta Redonda, fazendo apenas um treino amanhã, às 10 horas, no Estádio Raulino de Oliveira, local do jogo de domingo, às 11 horas.

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