Shenyang - A reclusão, a falta de folgas e a distância parecem ter feito bem à seleção olímpica. Em uma das melhores atuações do time nacional sob o comando de Dunga, seja o principal ou o olímpico, o Brasil venceu ontem, em Shenyang, a Nova Zelândia por 5 a 0, com dois gols de Ronaldinho e outras jogadas de efeito do camisa 10, e garantiu vaga nas quartas-de-final dos Jogos de Pequim com uma rodada de antecedência.
Para assegurar o primeiro lugar da chave sem depender de outro resultado, basta empatar com a China, na quarta-feira, em Qinhuangdao, para onde o time vai amanhã, de trem.
Para Dunga e os jogadores, o desempenho contra o time da Oceania é uma recompensa para um grupo com uma rotina bem diferente do que virou tradição com o time nacional nas três semanas em que já está junto.
Em todo esse tempo, o grupo não teve nenhuma folga de um dia inteiro - tempo livre, no máximo nas manhãs após cada jogo. Jogando em lugares distantes como Cingapura e Vietnã (onde se preparou) e longe de Pequim, além de ficar em um hotel fechado para quem não é da ''família olímpica'', os atletas não têm contato direto com familiares, assessores ou até mesmo empresários.
Tudo bem diferente, por exemplo, do que aconteceu na Copa de 2006. Na Alemanha, era normal uma folga, incluindo noite fora da concentração, a cada período de dez dias.
Vários jogadores levaram a família para ficarem próximos a eles. Antes de alguns jogos, o time ficava em hotéis abertos a outros hóspedes, o que facilitava o contato com parentes e agentes - o acesso ao andar onde o time estava era vetado, mas encontros podiam acontecer em outras partes do hotel. Na China, só o meia Diego tem familiares próximos presentes.
''Hoje foi uma recompensa pelo trabalho. Os jogadores estão aqui há 20 dias trancados no hotel, do quarto para o treinamento e de novo para o quarto. É mais estressante, mais difícil, mas mostra a seriedade deles'', disse Dunga.
Ronaldinho fez dois gols, um de falta e outro de pênalti, ambos no segundo tempo. Ele participou do segundo gol, iniciando troca de passes que acabou com cabeçada de Alexandre Pato, e do quinto, marcado por Rafael Sobis já nos acréscimos. Tudo facilitado pelo primeiro gol, de Anderson, de cabeça, aos 3 minutos do primeiro tempo.

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