Seleção reabilita zagueiro Scheidt
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de setembro de 1999
Por Anderson Couto 
Buenos Aires, 03 (AE) - A vaga de titular na seleção brasileira é um prêmio para o zagueiro Scheidt, que há pouco mais de três meses, foi acusado pela Comissão Disciplinar da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de uso de substância dopante. O incidente mudou a vida do jogador e quase atrapalhou os seus planos de ser lembrado, novamente, por Wanderley Luxemburgo. "Fui um injustiçado e quero provar que posso dar a volta por cima", afirmou.
O caso estourou no início de maio. Indicava que Scheidt havia sido flagrado com doses excessivas de dihidroepiandrosterona (DHEA) em seu organismo, um anabolizante que aumenta a massa muscular, na partida diante do Flamengo, pela Copa do Brasil. Mesmo defendido por muitos dirigentes do Grêmio, que o viram crescer no clube gaúcho, pegou uma punição de quatro meses. O Grêmio recorreu da decisão no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da CBF e a pena caiu para 29 dias, os piores da carreira do atleta.
"Nunca desisti de lutar pelos meus objetivos, pois sempre fui uma pessoa correta e de caráter", declarou o zagueiro. "E fiquei muito feliz pelo Luxemburgo ter confiado em mim." O treinador, por sinal, não acreditou apenas nas palavras do jogador. Acredita também em seu futebol. Logo que chegou a Buenos Aires, na quinta-feira à tarde, Scheidt ficou sabendo que seria titular, inicialmente no esquema 3-5-2. Ele atuou pelo lado esquerdo do campo, ao lado do líbero Antônio Carlos.
No Grêmio, Scheidt já havia jogado no mesmo esquema, mas na sobra. "Conversei com o Luxemburgo e expliquei a ele que não tinha experiência naquela posição", contou. O treinador parece ter ouvido, mais uma vez, as palavras do jovem zagueiro. O esquema foi alterado para o tradicional 4-4-2 e Scheidt continuou na equipe. Quem saiu foi João Carlos, do Corinthians.
"Mesmo quando estava suspenso, nunca deixei de treinar, acreditando na possibilidade de voltar à seleção, um antigo sonho", explicou. Scheidt sabe que terá um complicado desafio para marcar um trio infernal do ataque argentino: Ortega, Crespo e Cláudio López. "Já tropecei e consegui pular muitas pedras em minha vida; essa será apenas mais uma em meu caminho."


