Seleção promete colocar o coração em campo
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segunda-feira, 12 de novembro de 2001
Agência Estado<br>De Teresópolis, Rio 
Pelo menos uma pergunta ficou sem resposta no treinamento coletivo da Seleção Brasileira, neste domingo, na Granja Comary: qual o melhor para vencer a Venezuela, na quarta-feira, em São Luís? O 3-5-2 ou o 4-4-2? Aos jogadores, o que menos importa é a preferência tática do técnico Luiz Felipe Scolari. ''O esquema pode ser qualquer um desde que a Seleção tenha mais atitude em campo'', sustenta Rivaldo, na condição de um jogador que já foi considerado o melhor do mundo.
Como Rivaldo, os seus companheiros de equipe também não relacionam uma eventual vitória da Seleção Brasileira ao esquema tático. A maioria finalmente entendeu que se trata de um jogo especial, que vai exigir mais do coração do que do planejamento tático. Jogar com o coração é marcar, atacar, se aplicar, não medir os sacrifícios. Como disse Luiz Felipe Scolari num repente de exagero em sua última coletiva, se algum jogador tiver de se machucar e ficar seis meses parado terá valido à pena desde que a Seleção se classifique para a Copa do Mundo.
Até o introvertido Ronaldinho Gaúcho, que já ficou fora até do banco de reservas nos dois últimos jogos pelas eliminatórias, abandonou a sua conhecida timidez para dizer que esquema tático é o que menos importa nesse jogo decisivo com a Venezuela.
''O que vai fazer a diferença é a nossa atitude de querer ganhar da Venezuela. O jogador que entrar em campo tem de saber que vai ter de se sacrificar. Vai ter de jogar o jogo das nossas vidas''.
Na prática, eles querem dizer: não adianta nada jogar no 3-5-2 ou no 4-4-2 se em campo não houver aplicação total dos jogadores. Talvez pensando nisso é que Roberto Carlos tenha 'cutucado' os seus companheiros mais famosos, como o Rivaldo e ele próprio na sexta-feira, quando a Seleção voltou a se reunir na Granja Comary após a inesperada derrota para a Bolívia em La Paz. ''Chegou a hora de os jogadores mostrarem o que realmente são. Eu tenho de jogar como no Real Madri, o Rivaldo tem de jogar como o melhor do mundo e a própria Seleção vai ter de jogar como talvez nunca tenha feito nessas eliminatórias. No 3-5-3 ou no 4-4-2, não interessa. Se tiver de suar sangue para classificar o Brasil, assim será''.
Esse sentimento é quase geral e pode ser medido até mesmo pelas palavras dos menos famosos, como Beletti. O lateral do São Paulo, por exemplo, que só entra na equipe porque Cafu foi cortado, defende a tese de que a Seleção Brasileira não deve nem respeitar a Venezuela.


