Zurique - Dunga não poderá mesmo contar com Neymar nos dois primeiros jogos do Brasil nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, que será na Rússia, contra Chile, na próxima quinta-feira, e Venezuela, no dia 13. O Tribunal Arbitral dos Esportes (CAS, na sigla em inglês) em Lausanne, na Suíça, vetou a participação do craque e exigiu que ele cumpra a sua suspensão nestas partidas.
Neymar pegou quatro jogos de suspensão depois de se envolver em uma briga com jogadores da Colômbia e insultar o árbitro em jogo da Copa América. Metade da suspensão já foi cumprida no próprio torneio e a CBF queria que ele cumprisse o restante na edição da competição que será disputada no ano que vem nos Estados Unidos. Mas o CAS entendeu que a pena deve ser cumprida nas Eliminatórias, o primeiro evento oficial depois da Copa América.
Os advogados da CBF apontaram para a importância de Neymar para o time brasileiro e insistiram na tese de que o torneio da Conmebol precisa ser considerado como tendo suas próprias regras. A Copa América, segundo eles, sequer faz parte do calendário oficial da Fifa. Já os advogados da entidade máxima do futebol argumentaram que não se poderia questionar a hierarquia da estrutura do esporte mundial, sob o risco de ver uma ruptura nas regras do esporte. Em uma avaliação realizada ainda em julho, a Fifa indicou que a suspensão teria de ser aplicada já nas Eliminatórias.
Os três juízes indicados para avaliar o caso - o grego Sofoklis Pilavios, o britânico Phillip Sands e o suíço Marco Bolmeli - acabaram dando razão para a Fifa. "Ao rejeitar o apelo da CBF, os dois jogos de suspensão terão de ocorrer nas partidas das Eliminatórias que ocorrerão nos dias 8 e 13 de outubro", declarou o Tribunal.

INVESTIGAÇÃO

O Ministério Público Federal está acompanhando a investigação da Receita Federal por sonegação fiscal contra Neymar, acusado de infrações nas declarações ao fisco. A informação foi dada ontem pelo subsecretário de Fiscalização da Receita, Iágaro Martins.
Segundo ele, ao final do processo a Receita encaminhará representação penal contra o jogador por crime contra a ordem tributária, cuja pena pode chegar a 12 anos de prisão. "É importante mostrar que ninguém está acima da legislação tributária".
A Justiça Federal já determinou o bloqueio de R$ 188,8 milhões de Neymar e de empresas ligadas a ele. O desembargador federal Carlos Muta afirmou que os auditores fiscais da Receita Federal constataram infrações nas declarações do atleta ao fisco, como omissão de rendimentos do trabalho, omissão de rendimentos de fontes do exterior, omissão de rendimentos pagos pelo Barcelona, falta de pagamento de Imposto de Renda e outros.

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